VIAGEM MALDITA:


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Original: The Hills Have Eyes
País: EUA
Direção: Alexandre Aja
Elenco: Desmond Askewm Tom Bower, Ezra Buzzington, Dan Byrd, Maisie Camilleri Preziosi.
Duração: 107 min.
Estréia: 28/07/06
Ano: 2006


Um pouco de alegoria não faz mal a ninguém...


Autor: Laura Cánepa

Chega a ser um chavão dizer que as guerras do século XX foram um grande impulso ao cinema de horror. Desde os monstros disformes do expressionismo alemão (logo após a I Guerra Mundial) até os zumbis de George Romero (saídos direto da Guerra do Vietnam), a violência extrema e aparentemente desmotivada, assim como a sensação de permanente de vulnerabilidade, foram motes recorrentes do cinema fantástico e de ficção-científica.

Pois então não parece ser coincidência o fato de que, com o país em plena guerra contra o mundo, o cinema norte-americano se interesse tão intensamente por esses temas em suas produções mais recentes.

O problema é que, como não parece haver em Hollywood figuras tão criativas quanto George Romero, Wes Craven (dos bons tempos) e John Carpenter, que produziram grandes inovações no gênero durante os anos 60 e 70 nos EUA, os novos cineastas que se voltam para o horror acabam buscando suas referências em filmes antigos, apresentando releituras que vão do interessante ao ridículo em filmes recentes como “Madrugada dos Mortos” (Zack Snyder, 2004) e “Horror em Amityville” (Andrew Douglas, 2005).

A boa notícia é que algumas releituras conseguem fazer sentido. Foi o caso de “O Massacre da Serra Elétrica” (Marcus Nispel, 2003) e parece ser o caso, agora, de “Viagem Madita”, refilmagem de “Quadrilha de Sádicos”, clássico do gênero dirigido por Wes Craven em 1977.

A história até que é bem conhecida: uma família de classe média se perde no deserto do Novo México e é atacada por um bando de sujeitos deformados que foram vítimas de mutações genéticas provocadas pelas experiências com armas nucleares realizadas na região durante a Guerra Fria. Para resistir ao ataque, a família acaba sendo obrigada a recorrer a um tipo de violência para a qual não se imaginava disposta até o conflito começar.

São tão óbvias as comparações com a situação de guerra atual (em que representantes da nação americana se metem no meio do deserto num processo de violência e vingança) que chega a parecer esquemático. E é justamente aí que entra o talento do diretor, Alexander Aja – talento sempre atribuído, também, a George Romero: o de ser capaz de apresentar uma alegoria política sem perder, em nenhum momento, o foco na história contada e no gênero à qual está ligada (o horror), que tem sua própria lógica e seus próprios clichês.

É evidente que muitos dos espectadores que assistem a filmes como “Viagem Maldita” não estão interessados em discussões políticas – e nem teríamos porque imaginar que alguém deveria se sentir obrigado a isso. Por isso mesmo, se sobressai a qualidade do filme, que é capaz de atuar em diferentes níveis de leitura sem abrir mão daquilo que se propôs a oferecer: muito sangue, ação contínua e uma grande aventura.
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