THE BUSINESS - UMA CARREIRA PARA O PARAÍSO:


Fonte: [+] [-]
Original: The Business
País: Reino Unido
Direção: Nick Love
Elenco: Danny Dyer, Tamer Hanssan e Georgina Chapman.
Duração: 97 min.
Estréia: 23/06/06
Ano: 2005


"The Business, Uma Carreira Para o Paraíso” – ou para o sucesso, ou para o céu...


Autor: Cid Nader

Mais um filme difícil de avaliar corretamente, tentando entendê-lo através de parâmetros comuns ao exercício de analisar; criticar. Primeiro, porque ficam bastante camufladas as reais intenções do diretor, Nick Love (?), que construiu um filme recheado de referências aos anos 1980, com um excesso de músicas, modismos e clima, passando uma primeira impressão de que o real objetivo do filme é do resgatar uma época já bastante utilizada pelo cinema como manancial de nostalgia, que acomete grande fatia de consumidores – espectadores – monetariamente preparados para consumir produtos que remetam à sua já um tanto distante juventude – o cinema é pródigo e bastante esperto para utilizar os sentimentos nostálgicos das gerações através de sua história. Afora que diretores – como outros artistas – conseguem trafegar com muito mais naturalidade por esses momentos mais inspiradores e “hormonizados” de sua existência.

Uma segunda dificuldade que se impõe nesse processo de análise e avaliativo é o fato de Nick ter se utilizado de todo um procedimento estético interessante para confeccionar esse seu “The Business”. Filmou com tomadas que referem à época, também. Closes e cortes que remetem, automaticamente, qualquer ser um pouco mais ligado a esses quesitos, ao período, por osmose, isso é, se assiste ao filme como se estivéssemos vendo um produto realmente filmado naquela década sem o assombro da falsificação imposta pela cenografia e afins. A cor é esmaecida e a imagem um tanto chapada, como era comum a produções de orçamento específico, fora dos grandes estúdios, e, principalmente, filmadas na Europa – com bastante sotaque “periferia inglesa”, preferencialmente. E a música, logicamente, a música. Parece que os sobreviventes da época sentem que em nenhum outro momento da história ocidental se dançou tanto, se festejou tanto, como nos 1980. É bastante patente o orgulho dos descendentes de então pela vitalidade daquele momento musical e disso o diretor não abriu mão. Exagerou, conduziu e apoiou o filme na trilha e daí surge novamente um impasse: seria facilitador esse uso para dar cara ao momento – e por momentos essa impressão nos é passada -, mas a dinâmica do filme é bastante acelerada por esse mesmo motivo – em outros instantes, portanto, pareceria inadmissível a ausência ou uma não referência auditiva tão marcante.

Frankie (Danny Dyer) é um típico “produto” da sociedade capitalista inglesa – sem as chances que os ricos carregam em sua bagagem genética mas com os mesmos desejos consumistas, bombardeados ininterruptamente pelo tal modelo político – que vê a oportunidade de ganhar algum dinheiro “fácil” levando uma singela encomenda as Charlie (Tamer Hassan), na Espanha turística (Málaga), ensolarada, recheada de potenciais consumidores de drogas e para onde fugiram variadas espécies de gangsteres – à época não havia acordo oficial de extradição de traficantes entre os dois países. Para completar o elenco insere-se um psicótico e alucinado “sócio”, Sammy (Geoff Bell) e sua estonteante – bote estonteante nisso, bem ao estilo anos 1980, porém estonteante – namorada Carly (Georgina Chapman). Bom, qual seria a lógica a seguir? O garotão Frankie se interessa pela provocante Carly e passa a não ser bem visto por seu violento namorado. O filme segue, o progresso nos negócios surge, cresce e decresce – aliás o filme já começa com um momento de desespero e decadência, para retomar o rumo em flash-back e re-prosseguir a partir de um certo momento com novidades que não se encerravam no início. Estranho, não? Mas é assim mesmo e isso vem somar às virtudes do trabalho.

Outros pontos positivos são a maneira como Nick encara o decadente mundinho suburbano londrino – representado na Espanha pelas esposas dos traficantes, muito mal-tratadas pelo diretor e de maneira politicamente “incorretíssima”, o que é sempre muito bom num mundo tão medrosamente conservador como esse nosso atual -, a intromissão da real dimensão do perigo contida nessa atividade nada lúdica que é o tráfico de drogas através da aparição dos traficantes holandeses e dos produtores colombianos e a demonstração – via prefeito local – do poder da corrupção política, mesmo com cara de acordos feitos em pequenas cidades, com aparência de não terem grande peso ou importância. Mais alguns pontos negativos: o excesso de pressa e a falta de cuidado com pequenas resoluções de fatos – nisso poderia se ver a utilização dos anos 1980 como desculpa esfarrapada, pela velocidade e displicência inerentes ao comportamento do período – e um uso meio que copiado do modelo violento de ação adotado pelos bandidos que força a barra e suja a narrativa, podemos assim dizer.

Não é um filme que marcará a vida de ninguém mas não deixará mais pobre quem imaginar visitá-lo.
Leia também: