POSEIDON:


Fonte: [+] [-]
Original: Poseidon
País: EUA
Direção: Wolfgang Petersen
Elenco: Josh Lucas, Kurt Russell, Emmy Rossum, Jacinda Barrett, Mike Vogel, Jimmy Bennett, Mia Maestro, Andre Braugher, Richard Dreyfuss.
Duração: 97 min.
Estréia: 23/06/06
Ano: 2006


E viva o Titanic!


Autor: Laura Cánepa

Tá, tudo bem. A comparação é meio óbvia. Mas não dá pra evitar. É impossível não comparar o mais novo filme-catástrofe do veterando cineasta alemão Wolfgang Petersen (emigrado para Hollywood no começo dos anos 80 após dirigir um famoso filme de submarino, "Das Boot") com a aventura cinematográfica de James Cameron lançada em 1997.

Afinal, as histórias de "Poseidon" e de "Titanic" têm plots parecidíssimos: tratam das peripécias vividas por um grupo de pessoas num transatlântico antes e depois de um espetacular, inesperado e devastador naufrágio. Certo?

Errado. Errado porque a escolha de Petersen segue a linha dos tradicionais filmes-catástrofe nos quais se baseia (em particular o filme "Poseidon", de Ronald Neame, 1972), concentrados apenas na própria destruição. Já a solução de James Cameron - que acabou por se revelar muito mais eficaz do ponto de vista, pelo menos, de nossa memória cinematográfica - foi a de fazer da história do "Titanic" uma história "de todos nós": quando nos aproxima tão intimamente dos personagens, quando nos apresenta a protagonista contando sua história diretamente para nós, ele trabalha com nossa memória afetiva tanto quanto com nosso senso de espetáculo. Por isso, mesmo para quem não gosta, o filme é tão forte. Diferente deste "Poseidon", em que o único interesse que nos move é saber quem vai morrer.

Mas não é só isso, claro, que diferencia os dois filmes. Tem também o espetáculo em si: quem não quer ver um tsunami em alto mar derrubando aquele gigantesco transatlântico cheio de gente fútil? Pois é, eu queria, mas achei tudo tão rápido, tão falso. Nisso, o diretor de "O Exterminador do Futuro" também (com o perdão da expressão) dá um banho em Petersen.

Há tomadas espetaculares, é verdade. A primeira, que dá a volta em todo o navio, é de tirar o fôlego. Mas a diferença para "Titanic" é que essas mesmas tomadas "geográficas" (feitas aos montes) tinham força narrativa, tinham outra motivação além de dizer simplesmente "vejam só que navio grande que vai afundar daqui a pouquinho, aguardem".

Petersen já teve experiências melhores dentro d'água. Além de "Das Boot", ele também dirigiu o interessante "Mar em Fúria", com George Clooney, em 2000. Mas esse filme tinha, justamente, além de uma onda espetacular, personagens mais interessantes, gente que enfrentava o perigo de um jeito menos burocrático. Provavelmente por isso o espetáculo funcione melhor.

Ainda assim, talvez muitas pessoas considerem este "Poseidon" melhor do que os outros filmes citados. Ele sairia ganhando por ir diretanente ao que interessa e por não nos fazer perder tempo com um monte de gente que vai morrer. Talvez. Mas então, convenhamos, aquela ondinha podia ser um pouquinho maior, né?
Leia também: