SORTE NO AMOR:


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Original: Just My Luck
País: EUA
Direção: Donald Petrie
Elenco: Lindsay Lohan, Chris Pine, Samaire Armstrong, Bree Turner, Faizon Love, Missi Pyle, Makenzie Vega, Chris Carmack, Carlos Ponce, Tovah Feldshuh, Jaqueline Fleming.
Duração: 82 min.
Estréia: 09/06/06
Ano: 2006


Seria conspiração orquestrada?


Autor: Cid Nader

Quantos filmes descartáveis os estúdios “hollywoodianos” tem a pachorra de enfiar goela abaixo das redes de sala de cinema por todo o mundo, semanalmente? Possível mesurar? Manter o nível de padrão cultural mundial, usando o cinema como difusor - proposto pela “mão-única”: globalização - num nível sempre abaixo do mínimo esperado por qualquer ser mais coerente, seria um braço de uma estratégia calculada para um “emburrecimento pensado”, com objetivos muito mais escusos e obscuros do que simplesmente causar apatia de opiniões, quando frente a obras mais complexas? Portanto, estariam sendo usados truques para evitar entendimentos mais argutos , fato que determinaria mentes mais lépidas, capazes de gerar raciocínios mais afiados e prontos a captar símbolos de dominação instalados em diversos patamares? Pode parecer que tal delírio, que “perceberia” algo de conspiratório advindo das “majors” seja coisa de esquerdista ressentido e antiquado. Pode inclusive ser isso! Mas aventar – e inventar – tais possibilidades, tem algo de composição cinematográfica embutido.E, talvez, “novidade”, não seja a palavra mais adequada para ser aplicada a esse “possível” delírio.

Também não é a melhor palavra – “novidade” – aquela a ser aplicada a “Sorte no Amor”, esse filme dirigido por Donald Petrie, que aposta em fórmulas repetidas, nas letras, nos quadrinhos, no teatro e no próprio cinema. É típico trabalho alienador, sem razão aparente de ser – a não ser que adotemos as tais possibilidades conspiratórias e orquestradas engendradas pelos grandes estúdios, como um fato razoável e não como mero exercício de “neurose lúdica” – que as telas já repetiram em vários momentos, de variadas maneiras e com melhores – ao menos cinematograficamente – resultados. A típica garota moderna e independente americana, Ashley Albright (vivida pela estupenda e candidamente bela ruiva, Lindsay Lohan) é uma agraciada pelo destino com um excesso de sorte de causar inveja ao mais do que sortudo Gastão – figura criada pela Disney para injetar de inveja o primo: o já razoavelmente azarado, porém genial e estourado, pato Donald. Paralelamente, vivendo como se numa outra faixa ou onda, o azarado Jake Hardin (Chris Pane – sei que ouvirei reclamações pela falta de descrições entusiasmadas sobre o rapaz), que a cada passo tropeça nos próprios pés e a cada tentativa profissional – trabalha num bar mas sonha “empresariar” uma banda de rock – percebe que o destino não lhe sorri. Num certo momento, por alguma razão aleatória qualquer se cruzarão e, por conta de um singelo beijo, verão invertidas as suas principais características, isso é, ele virará o sortudo do filme e Lea a azarada.

Parece coisa que já vimos, semelhante, no cinema algumas vezes? É! E da maneira mais simplista possível, pouco inspirada. Mais uma pergunta: atrairá a atenção e entusiasmará público em quantidade razoável? Não sei, mas gostaria que não. O seu diretor é mestre em fazer filmes com tanta “profundidade” e com “tanto a dizer”: “Miss Simpatia” e “Como Perder um Cara em Dez Dias”; significam alguma coisa para você? Se não for filme simplesmente preparado para arrancar algum dinheiro fácil de uma certa fatia do público menos exigente – aquela que teria se deixado “emburrecer” -; se não for daqueles que tenham embutido em si a maldosa missão de alienar e “emburrecer”, para que sejam colhidos frutos, a quem interesse, um pouco à frente, poderíamos considerá-lo – isso imaginando que tenha outras pretensões sub-entendidas e camufladas – um produto imaginado para alavancar a carreira de uma obscura, mas real, banda de rock: McFly. A trilha sonora é composta por eles, as músicas que se repetem a cada ensaio ou nas ameaças de shows fazem parte de um CD já gravado e divulgado nos créditos finais do filme, e eles tocam “ao vivo”, de verdade; dá para perceber. Aliás, o grupo não é ruim não; tem virtudes.

Mas volto a perguntar: por quê? Para quê? Se forem descartadas as possibilidades que poderiam fazer “mais mal” à humanidade, que aventei acima, e se o real motivo – aparentemente poderia ser mesmo – for o de destacar e divulgar a tal bandinha britânica, uma perguntinha: eles já ouviram falar em MTV e vídeo-clipes? Agora, se for porque simplesmente imaginaram – diretor e produtores - que estariam fazendo um agradável e despretensioso filminho, erraram. Estão ultrapassados.
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