A PROFECIA:


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Original: The Omen
País: EUA
Direção: John Moore
Elenco: Liev Schreiber, Julia Stiles, Mia Farrow, David Thewlis, Nikki Amuka-Bird, Reggie Austin, Marshall Cupp, Seamus Davey-Fitzpatrick, Michael Gambon, Pete Postlethwaite.
Duração: 108 min.
Estréia: 06/06/06
Ano: 2006


A Profecia" desperdiça a melhor data do milênio


Autor: Laura Cánepa

O cinema sempre se alimentou de si mesmo, isso não é novidade. Desde os primórdios da sétima arte (e provavelmente de todas as outras artes), idéias foram recicladas, copiadas e, muitas vezes, coladas mesmo, para preencher espaços, resolver problemas, apresentar novos olhares ou simplesmente enganar a audiência.

Mas existem obras - cinematográficas inclusive - que não precisam ser refeitas. Há algo nelas que ultrapassa o tempo e dispensa revisões. No caso do cinema de horror, em particular quando se trata dos filmes sobre o "mal maior" (o Demônio), há três obras irretocáveis, que dificilmente justificariam um "remake". São elas "O Bebê de Rosemary" (Roman Polanski, 1968), "O Exorcista (William Friedkin, 1973) e "A Profecia" (Richard Donner, 1976) - que não por acaso foram produzidas na mesma época. O final dos anos 60 e o começo dos 70 do século XX viram o cinema de horror passar das produções "B" às grandes realizações de estúdio, o que deu ao gênero um fôlego nunca antes visto e muitos filmes "definitivos".

Então o que faria com que um diretor inexperiente como John Moore (de "Atrás das Linhas Inimigas") tivesse a coragem de refazer "A Profecia"? Certamente, a data mais do que oportuna: 06/06/06. Absolutamente irresistível, ainda mais porque todo o roteiro do filme de Richard Donner circulava em torno do temível número da besta, o 666.

Mas, convenhamos: já que era pra refazer, então que algo de novo se apresentasse. Se o estúdio não tinha uma "versão do diretor" com meia dúzia de cenas a mais para lançar nos cinemas, então que pelo menos arriscasse mais. Já é muito difícil fazer frente a um clássico estrelado por Gregory Peck, mas colocar o mesmo roteiro de David Seltzer na mão de um diretor menos competente e de um elenco que não passa do mediano, não dá!

Liev Shreiber e Julia Stiles tentam segurar o drama, mas ainda parecem ter recém saído de séries como "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado" e similares. O menino Damien (Seamus Davey Fitzpatrick) não tem a mesma expressão impávida do inesquecível Harvey Stephens. Nem mesmo a ótima sacada de chamar Mia Farrow para posar de babá do filho do Demo funciona, pois o diretor transformou nossa amada Rosemary em uma bruxa má, e nada mais.

Provavelmente a informação mais relevante trazida por essa nova produção seja justamente mostrar que o velho Richard Donner, conhecido por fazer todo o tipo de filme de ação ("Superman", "Máquina Mortífera", "16 Quadras", "Gonnies") é muito mais do que um "bom artesão" de Hollywood: é mesmo um diretor com momentos geniais.

Pois o mais impressionante no filme original não é a virtuose da direção ou a trama rocambolesca, mas a atmosfera aterrorizante, a sugestão permamente do mal - que no novo filme é mais explícita, mais óbvia e muito menos eficaz.

De fato, o filme de Moore parece uma grande perda de tempo, uma repetição sem brilho. A gente fica torcendo para acabar logo e não estragar nossas melhores lembraças.

Assim, o melhor roteiro para o dia 06/06/06 ainda é comprar pipoca e pegar "A Profecia" (o original) na locadora mais perto de casa.
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“A Profecia” – em 666 palavras