X MEN - O CONFRONTO FINAL:


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Original: X-Men: The last stand
País: EUA
Direção: Brett Ratner
Elenco: Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn, James Marsden, Shawn Ashmore, Vinnie Jones, Aaron Stanford, Patrick Stewart, Ben Foster, Dania Ramirez, Olivia Williams.
Duração: 104 min.
Estréia: 25/05/06
Ano: 2006


“X-Men – O Confronto Final” - ... mas, que peninha


Autor: Cid Nader

“Superman – O Retorno”, provavelmente, tomará para si o posto de grande filme baseado nos quadrinhos nesse ano de 2006. Tal exercício de futurologia tem como razão de ser o fato de o diretor dos dois primeiros episódios da trilogia “X-Men”, Bryan Singer, ter sido obrigado a optar por “Super-Homem” por conta da pressa, ganância e falta de bom senso dos executivos da Fox. Singer ofereceu-se para realizar esse terceiro episódio após a conclusão do outro trabalho, oferta recusada pela necessidade “imperiosa” de se lançar “X-Men 3” ainda esse ano. Infelizmente, ele, como se fosse um técnico de futebol dos mais gabaritados e requisitados, levou consigo toda sua comissão técnica – editor, cinegrafista, fotógrafo e roteiristas – e a contratação de um novo diretor, Brett Ratner, após vários outros percalços e desistências, revelou-se incorreta e infeliz.

“X-Men – O Confronto Final” é um filme de ação à moda antiga. Digo à moda antiga em sua real intenção e, principalmente, quando comparado a trabalhos recentes que utilizaram as histórias “adultas” em quadrinhos como fonte de inspiração, mas que buscaram sua essência antes da forma. É sabido que vários dos “heróis” dessas historietas gráficas foram criados com um monte de intenções sub-incutidas: personagens angustiados, povos ou raças perseguidos, ideais antimilitares, por exemplo. E num fenômeno de compreensão de subtextos captados por vários diretores o cinema nos apresentou pérolas como “Hulk”, “O Homem-Aranha”, alguns dos “Batmans”, “V de Vingança” e os próprios dois primeiros “X-Men”. Imagino, inclusive, mais especificamente “O Homem-Aranha 2” e “X-Men 2”, como dois dos principais trabalhos cinematográficos realizados nos Estados Unidos nos últimos anos. Quando comparados o “X-Men” anterior e esse, fica fácil perceber que o de Singer foi direto à alma – essência, intenção – da história, enquanto o de Ratner não conseguiu mais do que captar a forma, exercitando-a de maneira ostensiva, repetitiva, acachapante e com estardalhaço.

Em “X-Men 2” Brian Singer nos revelou que os mutantes, Wolverine, Magneto e Tempestade, por exemplo, personificam na verdade o ser humano em minoria, em fatia social, segregado, o diferente, enfim. Não que tenha abdicado da forma, já que retratou os personagens de maneira visualmente bastante fiel às imagens dos quadrinhos. Não que tenha abdicado da possibilidade do uso da computação como fator enriquecedor e atrativo, mas utilizou-a de maneira sensível e “fina”, bem pensada e como um elemento componente do trabalho; não “o” elemento.

Em “X-Men 3”, Brett Ratner executa um trabalho totalmente alheio aos bons motivos que se insinuaram para conduzi-lo. A idéia subjacente dos excluídos e suas mazelas está lá. Poderosa e mais sem disfarces do que nunca, aparece travestida de “cura para os mutantes”, evidenciando uma insanidade digna do movimento nazista quanto à “não normalidade” do povo judeu, ou dos homossexuais ou dos ciganos. O filme resvala na questão da não unicidade do ser humano – mesmo que dentro de um excluído, perseguido e ameaçado círculo social. Há mutantes que desejam ser “salvos”, com razões ditadas pelo medo, pela necessidade da inclusão ou necessidade mais urgente de carinho e afeto – são essas que levam a personagem Vampira/Marie D’Ancanto (Anna Paquin) ao encontro da oferta oferecida pelas autoridades “humano/normais”. Warren Worthinghton III/ Anjo (Bem Foster), por outro lado, se rebela contra a tentativa de “remisão”, assumindo a condição que sempre tentara afastar de si. Alguns lutam contra essa tentativa de humanização por vias mais, digamos assim, diplomáticas – os X-Men, a turma do Professor Charles Xavier (Patrick Stewart). Outros procuram atingir a nobre causa da identidade e peculiaridades próprias usando para isso métodos um tanto mais contundentes e sujos – a turminha barra pesada de Eric Lensherr/Magneto (Ian McKellen). Portanto, vários motes para conduzir o filme por vias mais adultas estavam implícitos e foram até adotados – imaginaria-se, para tal - mas, na realidade, serviram apenas como pano de fundo para a intenção explosiva, alucinada, batalhada, cheia de truques pirotécnicos de computador do novo diretor.

Além de encher o filme de adrenalina – a ponto de transbordar -, Ratner utilizou uma trilha sonora enjoativa, repetitiva, grandiloqüente, que faz par justo aos excessos imagéticos. Não aposta nada na idéia, nos ideais, subestimando a tal ponto a capacidade de raciocínio do espectador ou do fã dos quadrinhos que inclui e retira de cena “a cura” em forma de gente, em carne e osso, sem muita explicação da sua razão de ser. As batalhas têm um exagerado e extraterreno tom épico, com imagens e efeitos rebuscados. Em contrapartida, os protestos e ataques à base humana/militar poderiam ser rechaçados de maneira simples e eficiente – pelo tipo de “munição” que abastecia as armas dos soldados -; mas o diretor aparentemente se esqueceu, ou de modo mais relapso imaginou que nós não repararíamos, do poder que tal munição teria se utilizada sobre os mutantes.

O filme guarda uma surpresa para quem ficar até o final da exibição dos créditos. Mas a pior surpresa – a ausência de Bryan Singer – já foi revelada desde o início da exibição da película.
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