A MOCHILA DO MASCATE:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Gabriela Greeb
Elenco: Documentário
Duração: 72 min.
Estréia: 12/05/06
Ano: 2005


"A Mochila do Mascate" acerta no plano afetivo, mas falha no profissional.


Autor: Cid Nader

Gabriela Greeb, diretora de “A Mochila do Mascate”, leva o cenógrafo Gianni Ratto, já perto dos 90 anos de idade, à sua Itália natal, ao seu colégio de infância - colégio de freiras, com fundo para o mar -, ao Piccolo Teatro de Milano - do qual foi um fundadores na década de 1940 - e também, para uma visita ao Alla Scalla, onde, oriundo do Piccolo, estreou com cenário criado para “La Traviata”, no ano de 1947. Ficamos sabendo que só no Alla Scalla teve mais de 20 cenários seus usados em espetáculos. Por alguns depoimentos e inegáveis reações exacerbadas de "transeuntes" que passam pelo filme fica nítida a importância do cenógrafo em outras paragens; é evidente o apreço e respeito dedicado por realizadores teatrais insuspeitos pela distância. Esse percurso todo é acompanhado e roteirizado pela filha do diretor, Antonia Ratto.

O documentário, que usa vários tipos de recursos de imagem em sua concepção definitiva - aquela que assistimos na telona - tem razoável desempenho nesse quesito. Não é excessivo e parece ter sido pensado com algum critério - fato que não ocorre em alguns outros trabalhos do gênero, quando alguns outros diretores "despirocam", ante a possibilidade de agradar visualmente, a qualquer preço. Usa granulações, câmeras muito próximas do rosto de Gianni e slow-motion em momentos quase sempre "necessários". Falar de teatro e filmar gente oriunda dele parece que exige - inconscientemente - uma certa adrenalina a mais por parte de quem vai executar tal tarefa. Aparentemente, a solidez fixa do plano visual teatral não coaduna com as possibilidades oferecidas pelo cinema e, trabalhar com várias possibilidades a mais do que o usual, ganha um certar de necessidade premente. Felizmente, no caso do trabalho de Gabriela Greeb, o excesso não se mostrou excessivo - com perdão do trocadilho.

Gianni Ratto chora em diversos momentos do filme, chegando até a assustar um pouco por conta de seu, aparentemente, frágil estado físico. Desfilam ante sua cadeira de rodas Fernanda Montenegro, Maria Della Costa, Millôr Fernandes, Dario Fo, professoras e freiras da antiga escola de infância. É simpático nessa homenagem e deve agradar, principal e obviamente, à classe teatral. Mas, ao mesmo que simpático é econômico e fugaz demais na apresentação de "documentos" e nesses encontros de Gianni com os "seus passados". Se imaginarmos que um documentário deva se dividr por várias questões para elucidar ou apresentar seu tema de referência, "A Mochila do Mascate" acerta no plano afetivo mas falha no profissional. Mostra-se um tanto superficial para quem o procurará atrás de mais informações concretas e menos sugeridas.

P. S.: quando foi exibido na "Mostra Br de Cinema", ano passado, o amigo Chico Guarnieri notou, durante a projeção, que o filme foi exibido com a janela errada. É fato que se repete, invariavelmente, e pouco observado ou questionado pelos espectadores, mas que prejudica a qualidade final do trabalho apresentado na telona; mais atenção e respeito se fazem necessários.
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