ACHADOS E PERDIDOS:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: José Joffily
Elenco: Antonio Fagundes, Zezé Polessa, Juliana Knust, Genésio de Barros, Malu Galli, Isaac Bernat, Babu Santana, Hugo Carvana, Roberto Bomtempo, Ricardo Blat e Flávio Bauraqui.
Duração: 100 min
Estréia: 28/04/2006
Ano: 2005


Constrangedor


Autor: Cid Nader

Bem feito para quem gostou de "Dois Perdidos Numa Noite Suja". José Joffily já havia demonstrado na ocasião não ter compromisso com um cinema mais original, longe dos clichês e das facilidades - isso para não falarmos em "Quem Matou Pixote". Ele é um diretor que atira para alguns lados distintos, quando o assunto é cinema. No quesito ficcional invariavelmente realiza verdadeiros desastres. Já quando envereda para as bandas dos documentários sua performance melhora ele até que consegue passar seu recado. O problema, aparentemente, reside no fato de passar a impressão de alguém que sabe o que faz, imagina que faz mais do que sabe realmente, utilizando para solucionar tal conflito interno de auto-afirmação armas que deveriam ser proibidas para quem aprecie um bom cinema. Abdicando da possibilidade de construir obras mais afeitas ao "bom gosto" e à realidade, constrói cenários artificiais - na capa e no âmago - imaginando que interpretar com cara de zumbi e muito pouca profundidade de idéias,por exemplo, se emoldurados por cores fortes e iluminados por luz afetadamente difusa e intimista cumprirão todo o papel necessário para a confecção do tal bom cinema.

"Achados e Perdidos" dá um "perdido" no espectador teimoso e persistente que imagina ainda encontrar - nem que seja uma única vez - qualquer coisa que se salve em algum trabalho de Joffily. Esse filme, mais especificamente, cá prá nós, passa a impressão de obra concebida nos tempos de adolescência e concretizada somente agora, na vida adulta, sem nenhum tipo de amadurecimento - ainda que pesem os longos anos de estrada do diretor -, com equipe que diz amém; talvez não imaginando que o resultado final pudesse ser tão catastrófico ou regiamente recompensada, com salários acima do usual em nossa monetariamente pobre cinematografia - fiquemos com a primeira hipótese (“não imaginando o resultado final”).

Conta história que mescla assassinato, prostituição, corrupção política, investigação e pior, tudo intercalado com diálogos que por vezes são de uma "profundidade". Vieira (Antônio Fagundes) delegado aposentado e residente na boemia Copacabana tem um caso com uma prostituta mais veterana, digamos assim, que aparece misteriosamente assassinada. A trama (?) se desenha, então, como um thriller de suspense, misturado com reminiscências de uma garota de programa, pitadas de política corrupta e total non-sense para emaranhar, de maneira crível e ordenadamente, tamanha pretensão literária.

Afora a baixa qualidade na construção técnica - clichês imagéticos a não dar mais - e falta de empenho nas "letras" do filme - roteiro sofrível e diálogos infantilóides -, o filme causa alguns momentos de extremo constrangimento para quem se decidiu, apesar dos avisos, por assisti-lo. O strip-tease de Zezé Polessa é trite e desabona a atriz, que deveria ter proibido o diretor de inseri-lo na montagem final. Há uma personagem, Vanessa, interpretada por Mallu Galli, que parece um dos mortos-vivos saídos do clássico "Thriller", de Michael Jackson, e que pega carona no filme, aparecendo em todos os lugares interessantes e a qualquer momento em que a história necessite - a cena em que uma seringa fica espetada em seu braço durante uma discussão é, senão “esquisitíssima”, “pateticíssima”.

O cinema brasileiro que anda soltando na praça uma inacreditável média de 2,5 filmes por semana poderia ter ido dormir sem esse na bagagem. Pena que, infelizmente, não seja o único a causar pesadelos que atrapalham o sono dos espectadores e fãs dos trabalhos brazucas.

P.S.: Quando digo que nada se salva cometo um enorme engano. Existe, para nosso deleite, a tentação absolutamente carnal e animal que é Julia Knust. É muito bom vê-la em cena, no melhor estilo gostosa carioca - com todo o respeito -, contanto que esqueçamos que está tentando atuar; coisa que ela não faz lá muito bem.
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