VINHO DE ROSAS:


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Original: Idem
País: Brasil
Direção: Elza Cataldo
Elenco: Cristiane Antuña, Jackson Antunes, Teuda Bara, Tula Barcellos, Jota D'Ângelo, Helvécio Guimarães, Rodrigues de Macedo, Inês Peixoto e Neusa Rocha.
Duração: 103 min.
Estréia: 28/04/2006
Ano: 2005


Vinho Azedo


Autor: Érico Fuks

A garrafa é bonita. O aroma indica uma boa colheita. Já o sabor residual faz parecer que algo azedou no meio do caminho. “Vinho de Rosas”, longa de estréia da mineira Elza Cataldo, cai no mesmo barril aguado de alguns congêneres principiantes: o grande medo de errar.

O filme aborda as conseqüências da Inconfidência Mineira, a partir da trajetória de algumas mulheres coadjuvantes nesse registro histórico: Antônia do Espírito Santo (a companheira que Tiradentes nunca assumiu oficialmente), Bárbara Eliodora (mulher de Alvarenga Peixoto), Marília de Dirceu (a noiva de Tomás Antônio Gonzaga), Quitéria Rita (concubina de Padre Rolim e filha de Chica da Silva) e Maria de Angola (escrava que Tiradentes doou a Antônia). Joaquina, uma moça criada em um convento sem conhecer sua origem, descobre que é filha de Tiradentes e que sua mãe está viva. Decide mudar o seu destino e, assim, vai revelando o que aconteceu com as mulheres dos Inconfidentes.

Essa colcha de retalhos procura trazer alguns dados históricos pra ganhar veracidade e, nesse apanhado, insere um tom ficcional colorido cheio de metáforas e hipérboles figurativas como, por exemplo, a alusão ao labor artesanal vinícola que inspirou o título. O resultado, porém, não vai prum lado nem pro outro. “Vinho de Rosas” mantém o tom das novelas de época, tanto em seu figurino cênico carregado quanto em sua fragilidade interpretativa.

Do ponto de vista técnico, o filme não escorrega. Existe um cuidado fotográfico parnasiano que se traduz em imagens bonitas e translúcidas, luz acertada, planos politicamente corretos. Nesse tratamento estético caprichado dado ao invólucro é que se nota também a paúra de cometer gafes estilísticas denotativas de um experimentalismo que aqui não existe. Em nenhum momento se nota a vontade de ousar. Esse acompanhamento literal da cartilha, entretanto, aqui nesse caso é mais um defeito do que um mérito. As falas parecem ser extraídas de livros históricos. A preocupação didática de se cercar da verdade dos fatos soa como uma nota desafinada. Não há emoções maiores nas transições e nos cortes entre o discurso rígido bibliográfico e o registro ficcional barroco. Tudo é muito pesado, carrancudo. A falta de harmonia entre as cenas mostra que, assim como nosso mártir, os planos foram esquartejados. As expressões artísticas e os ideais libertários da passagem do século XVIII para o XIX constam apenas no rótulo. Na liquidez etanóica do filme, a cadência rítmica fica mecanicamente travada. Com mais amor ao cinema e menos comprometimento com a educação moral e cívica, Cataldo poderia pertencer a uma safra mais criativa. Em sua estréia cinematográfica, todavia, essa decoreba escolar nada arrojada faz a obra ir pro vinagre.

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