TUDO POR DINHEIRO:


Fonte: [+] [-]
Original: Two for the Money
País: EUA
Direção: D.J. Caruso
Elenco: Al Pacino, Matthew McConaughey, Rene Russo, Armand Assante, Jeremy Piven, Kevin Chapman e Ralph Garman.
Duração: 122min.
Estréia: 28/04/2006
Ano: 2005


Esporte, grana e tudo mais que você já sabe


Autor: Cid Nader

Mais uma típica história americana. Fala de quebra de expectativas, fundo do poço, renascimento, sucesso, queda novamente, novo e mais puro renascimento – ah, se tiver esporte envolvido então, melhor. Esperar novidades em alguns tipos de películas é mais ou menos acreditar em Papai Noel, duendes, boas intenções de Bush, ou coisas mais espetaculares ainda. “Tudo por Dinheiro” não desvia um centímetro do final idealizado para ele, desde quando a indústria do cinema norte-americano descobriu que o final da história - se valorizado por todo um interior recheado de sofrimento, ou de vida fácil e mundana, enganos, amores impossíveis e coisas do gênero – tem que ser para cima e injetar esperança no público sempre necessitado de algo a mais para continuar a sobreviver nesse mundão duro e sofrido.

O jogador universitário de futebol americano, Matthew McConaughey (Brandon Lang), sofre grave contusão em jogo decisivo, no momento em que se prepara para passar do estágio amador ao profissional – seu sonho. Seis anos depois, ainda repleto da esperança de poder voltar a jogar e trabalhando numa pequena agência de apostas em esporte para poder se sustentar enquanto aguarda o ansiado dia da volta por cima, recebe um telefonema de um dos maiores agenciadores de apostas esportivas do país Walter Abrams (Al Paccino) convidando-o para integrar a sua equipe de vendedores de sonhos. Walter acredita no conhecimento acima da média de Matthew no assunto e leva-o para Nova Iorque, esperando que ele passe a ser seu melhor empregado. Promete mundos novos, repletos de mulheres e dinheiro. O ex-jogador não nega fogo e começa a avançar e progredir como o maior entendedor das casas de apostas, enriquecendo a muitos clientes – conseqüentemente seu chefe também -, ganhando fama e status.

O diretor D.J.Caruso sabe o que quer quando realiza um filme dessa natureza. Reforça o filme já desde e o início, ao mostrar o Matthew ainda criança ansioso com as possibilidades de todo um futuro, mas sofrendo um primeiro baque com a perda da proximidade do pai. Capricha na cena da final do futebol universitário – emblemática para o futuro da história e do futuro não esportista. Cria a elipse de praxe e necessária para conduzir o filme aos “tempos atuais” da história mostrando o trabalho árduo numa pequena agência. A passagem súbita para um outro mundo, uma outra realidade, o rápido progresso e ascensão, a empatia do chefe. Logo depois os primeiros insucessos, o início de uma nova queda e a visão do fundo poço. Mas nada que a boa, cristã e batalhadora alma americana não supere, para o possível ressurgimento de um ser melhor, mais completo, “mais bom”.

Ele não nega ou tenta mascarar em nenhum momento o uso de fórmulas padrão para atingir o alvo. Usa inclusive o repetido e manjado “estilo Paccino” de super-atuar como uma de suas armas. Não se dá mal quanto aos intuitos. Provavelmente fará um número razoável de espectadores; o suficiente para agradar estúdios e produtores sem deixar de auferir um bom retorno financeiro. Mas se o assunto é cinema, então a história passa a ser outra. Os personagens são adequadamente caricatos, a mistura de linguagens - há o uso de “momentos” televisivos, por exemplo – é absolutamente pensada e falsamente intuitiva, o roteiro não é de dar nó nem em cabeça de minhoca – desculpem-me o preconceito, queridos anelídeos oligoquetos. Enfim, nada demais, até breve, espero reencontrá-los novamente com uma discussão mais apropriada e instigante.
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