ARMAÇÃO DO AMOR:


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Original: Failure To Launch
País: EUA
Direção: Tom Dey
Elenco: Kathy Bates, Zooey Deschanel, Matthew McConaughey, Sarah Jessica Parker.
Duração: 98 min.
Estréia: 14/04/2006
Ano: 2006


“Armações do Amor” – Frankenstein mal-acabado.


Autor: Liciane Mamede

Existem filmes que não temem os rótulos, simplesmente assumem o que são de forma escancarada e azar daqueles que se incomodarem com isso. "Armações do Amor" tira proveito escancaradamente da boa fase da carreira de Sarah Jessica Parker, e não tem objetivos muito maiores do que prender a atenção do público por uma hora e meia. Seu caráter descartável e datado está em cada elemento do filme, desde a história até atuações e trilhas sonoras. Uma legítima espécie caça-níquel. Não há, também, nenhuma intenção de mascarar esse fato. A história é a mais previsível possível e sua narrativa segue os caminhos mais fáceis e grosseiros.

Um trintão aventureiro (interpretado pelo sempre apático Matthew McConaughey), com nenhuma intenção de sair da casa dos pais, se apaixona por uma mulher (Sarah Jessica Parker) que o faz mudar seus planos. O problema é que a mulher não estava, a princípio, inebriada pelos mesmos sentimentos nobres do rapaz. Ela havia sido contratada pelos pais do garotão com a missão de tirá-lo de casa. Tarefa não muito fácil, mas que acaba rendendo muito para a vida amorosa da moça. Não é preciso ir além, se chutar como termina o filme, impossível não acertar exatamente no alvo.

O que “Armações do Amor” se propõe a ser não é, digamos, muito, porém o simples fato de querer divertir o público já pode ser encarado como uma missão ardorosa no sentido de que faz a diferença entre vender e não-vender, fazer bilheteria ou não fazer. A contar pelas bilheterias norte-americanas, o filme cativou o publico e cumpriu sua missão comercial.

Algumas obras, entretanto, conseguem conciliar tal função com algo que vai além, têm uma preocupação formal. Isso não quer dizer que querem ser “filmes de arte”; simplesmente, têm um cuidado maior em relação aos elementos essenciais ao gênero, por exemplo, na escolha do casal principal (se o casal não tem química, quase metade do filme já foi por água abaixo). Por isso, não é raro encontrar boas comédias românticas.

Sarah e Matthew formam o casal mais desarmônico dos últimos tempos. Dificilmente convenceriam em um comercial de sabonete. Problemas de atuação, com certeza, mas talvez vá além. Eles simplesmente não combinam. McConaughey faz o tipo malhado dos filmes de ação, completamente inatingível. Parker já é mais comum em sua aparência, bonita não há como negar, mas nada fora do padrão das ruas (talvez por isso, inclusive, sua personagem Carrie Bradshaw da série Sex and the City faça tanto sucesso). Embora a beleza do personagem masculino seja um dos motivos que o fez irresistível perante aos olhos da moça, tamanha perfeição soa artificial demais. Talvez a escolha de alguém mais “comum”, resolvesse, em partes, esse problema.

Ao optar sempre por tudo aquilo que há de mais óbvio, escolhendo a dedo os clichês mais batidos do gênero das comédias, a impressão que fica é que a narrativa não flui naturalmente. Pode-se dizer que ele é um grande Frankenstein, uma reunião mal arranjada de vários pedaços que costumam dar certo em outros filmes do gênero. Porém, quando usados de forma equivocada e excessiva, podem tornar-se maçante.
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