A GRANDE VIAGEM:


Fonte: [+] [-]
Original: Le grand voyage
País: França/Marrocos
Direção: Ismaël Ferroukhi
Elenco: Nicolas Cazalé, Mohamed Majd, Jacky Nercessian, Ghina Ognianova e Kamel Belghazi.
Duração: 108 min.
Estréia: 07/04/2006
Ano: 2004


Uma viagem previsível


Autor: Cid Nader

Poderíamos definir A Grande Viagem como um “road-movie”, distante, é certo, das míticas rodovias norte-americanas, onde motoqueiros, ou motoristas com seus enormes e meio-acabados carros, buscavam "a verdade", o auto-conhecimento, uma viagem para dentro de si, quase espiritual, e isso, quase que invariavelmente, tendo como ponto geográfico a ser alcançado os desertos do sul, principalmente o de Mojave, com seus índios e suas drogas alucinógenas fazendo o papel dos "condutores" ao divino.

No caso desse A Grande Viagem, o diretor Ismäel Ferroukhi conduz, com sua câmera, o carro que leva pai e filho, de origem muçulmana, por estradas mais a leste, entre a Europa e a Ásia, em viagem também espiritual, passando também por desertos, em busca do auto-conhecimento - pai e filho se descobrem, aos poucos, durante o trajeto - e tendo como destino geográfico a cidade de Meca, porto obrigatório de partida ou de chegada para quem busca o divino, segundo o Islã.

É um filme direto, que emana sinceridade e honestidade, com ritmo leve, boa música, interpretações corretas, que mostra com clareza e detalhadamente todo o "comportamental" diante do grande monumento negro, símbolo de fervor e adoração no islamismo.

Mas mesmo assim não chega a ser um grande filme. Falha com sua previsibilidade. Falha quando faz com que sua honestidade e sinceridade se transformem em conformismo narrativo. Evita a ousadia e isso pesa no resultado final.

Leia também: