BONECAS RUSSAS:


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Original: Les Poupées Russes
País: França/Inglaterra
Direção: Cédric Klapisch
Elenco: Romain Duris, Kelly Reilly, Audrey Tautou, Cécile de France, Kevin Bishop, Evguenya Obraztsova, Irene Montalà, Gary Love, Lucy Gordon e Aissa Maïga
Duração: 125 min.
Estréia: 07/04/2005
Ano: 2005


Entre a Espanha e a Rússia, a qualidade ficou pelo caminho


Autor: Leonardo Mecchi

Em 2002, Cédric Klapisch lançava “Albergue Espanhol”, um pequeno filme que atingiu mais de 3 milhões de espectadores na França. Sem grandes pretensões, a obra de Klapisch retratava com simpatia e fidelidade as experiências e questionamentos de estudantes que se aventuravam a conhecer outras culturas através de programas de intercâmbio, conseguindo com isso grande empatia junto ao público jovem.

Com “Bonecas Russas”, o diretor francês retoma a história dos mesmos personagens de “Albergue Espanhol” cinco anos depois, acompanhando o amadurecimento de seus dilemas e relações. Infelizmente, Klapisch demonstra não ter ele mesmo amadurecido na direção, criando uma seqüência nitidamente inferior ao filme que a originou.

“Bonecas Russas” aparenta ser, desde o início, uma produção desleixada, feita às pressas para aproveitar o sucesso do filme anterior. O filme carece de ritmo – apesar da montagem ágil que busca dar conta, através de flashbacks e histórias paralelas, da complexidade das relações e dos pensamentos do protagonista Xavier (Romain Duris) – e seu humor é, no mínimo, de gosto bastante duvidoso. Rodado em HD (vídeo digital de qualidade inferior à tradicional película 35mm), o filme possui ainda uma fotografia que beira a negligência completa.

Klapisch se estende por mais de 90 minutos antes de definir seu foco entre as tentativas de Xavier de viabilizar sua escolha profissional e seus relacionamentos conturbados com mulheres dos mais diversos tipos. Colabora para esse arrastar do filme a interpretação de Duris, freqüentemente eclipsado pelas atrizes com quem contracena, em especial Cécil de France (Isabelle, a amiga lésbica de Xavier) e Kelly Reilly (Wendy, a garota britânica de “Albergue Espanhol”).

Quando opta por se concentrar nos percalços do relacionamento de Wendy e Xavier, o filme ganha um pouco de força e coerência, mas já é tarde demais para resgatar o interesse do espectador. Perde-se assim uma bela oportunidade de um retrato bem humorado e sensível desses jovens adultos contemporâneos, que aos 30 anos ainda buscam um sentido para suas vidas e relacionamentos.
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