A ERA DO GELO 2:


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Original: Ice Age 2: The Meltdown
País: EUA
Direção: Carlos Saldanha
Elenco: Animação
Duração: 86 min.
Estréia: 31/03/2006
Ano: 2006


Um pouco frio


Autor: Cid Nader

A velha história da maldição das seqüências se repete. "A Era do Gelo 2", infelizmente, não consegue fugir da máxima que impera no cinema desde que a luz se fez. Digo infelizmente por uma questão patriótica, por querer sempre vestir a amarelinha, por pensar que somos os melhores, os mais bonitos, os mais rítmicos, blá,blá,blá... O fato do brasileiro Carlos Saldanha - até sobrenome de conhecedor de futebol o rapaz tem - ter dirigido essa super-produção do mundo das animações causou uma certa agitação entre os entendedores de cinema e do mundo da computação gráfica tupiniquim. O oba, oba, é notório e perceptível, como se estivéssemos galgando um patamar maior na história da humanidade. Que é um pouquinho bacana pensar num brasileiro como o principal responsável em um setor no qual a tradição passou sempre muito distante do velho e bom sotaque de Camões, realmente é. Mas somente isso.

Temos uma tradição - e reconhecimento - muito mais importante na enormidade restante do mundo da sétima arte. A animação - seja ela no formato desenho, stop-motion ou 3D - cumpre um papel de relativa importância, sim, mas o fato de termos um patrício e conterrâneo dirigindo pela primeira vez algo originário daquele vasto e rico mundo que impetra os "arrasa-quarteirões", não poderia causar tamanha obstrução nos raciocínios que pensam cinema como vem acontecendo nas últimas semanas, no mundinho. O diretor dessa seqüência ganhou status por conta do personagem criado por ele, que abria o primeiro filme, ensandecido atrás de uma avelã, causando um grande prejuízo ao planeta por tal fixação; tudo regado com muito humor e um tanto de sadismo - talvez aí imprimindo um pouco do jeito brasileiro de imaginar e concretizar uma piada.

Agora, quando falo da velha maldição, realmente o faço de maneira um pouco frustrada. "A Era do Gelo 2" perde bastante na comparação com o primeiro. A fórmula mostra-se requentada e algo desgastada, manjada. O primor técnico utilizado para a confecção deste não avançou em relação ao anterior, o que, no mundo atual da computação gráfica, significa pecado quase que mortal. O filme acaba parecendo mais "artificial", mais primário, sem impacto suficiente, o que acaba por refletir no desenvolvimento da trama que aparece também mais sem graça, sem grandes sacadas e, principalmente, mais arrastada. Seria o caso de questionarmos se esse seria tão bom se fosse o primeiro e não uma seqüência? Tendo a crer que sim, sendo que isso não atenua o pecado e sim o agrava.

O tigre dente-de-sabre Diego, o mamute Manny e a preguiça Sid estão novamente protagonizando a saga que desta vez caminha mais pela superfície terrestre. O gelo começa a derreter e o trio parte numa dura missão que engloba a tentativa da busca por um lugar mais seguro mas não esquece de uma missão maior, que é a da ajuda aos outros seres que dividiam a Terra com eles nesse princípio do grande degelo. O politicamente correto comparece como de praxe e - no fundo, no fundo - a intenção maior é a de denunciar o mal que o homem está causando ao seu planeta nos tempos atuais. Isso é sempre muito chato; essa mania da lição de moral acaba por comprometer, invariavelmente, a "alma" de um trabalho, enfraquecendo-o. As animações que têm apostado num clima mais "inconseqüente" são as que têm obtido melhor resultado.

Resta saber se o nosso caro Carlos Saldanha pecou por ter de cumprir ordens. É fato que os momentos mais engraçados da odisséia são aqueles em que a criatura pensada pelo diretor no primeiro filme - e que o levou a ganhar status para poder dirigir integralmente esse segundo - aparece, na obcecada tentativa de degustar seu acepipe predileto. Uma situação que permeia todo o filme e confere a ele um certo - e necessário - ar de rebeldia, de "mau-caratismo", de picardia; algo muito mais a ver com a nossa lógica "malandra" e cheia de "gingado".
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