UMA COMÉDIA NADA ROMÂNTICA:


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Original: Date movie
País: EUA
Direção: Jason Friedberg e Aaron Seltzer
Elenco: : Alyson Hannigan, Adam Campbell, Jennifer Coolidge, Fred Willard, Tony Cox, Eddie Griffin, Sophie Monk, Meera Simhan, Marie Matiko, Judah Friedlander e Carmen Electra.
Duração: 83 min.
Estréia: 24/03/2006
Ano: 2006


“Uma Comédia Nada Romântica” – ah vá, não é bem assim


Autor: Cid Nader

“De dois dos seis roteiristas de Todo Mundo em Pânico” – com esses dizeres é anunciado o lançamento dessa comédia escatológica, pervertida, romântica e despudoradamente recheada de referências. Parecendo não acreditar nas próprias possibilidades de angariar um público próprio, os distribuidores enfatizam o currículo dos dois diretores e roteiristas, Aaron Seltzer e Jason Friedberg, que trás provavelmente em negrito sua participação num dos trabalhos guia desse tipo de humor.

A toada é do mesmo timbre e fica nitidamente perceptível conforme os excessos e partes sólidas vão desfilando frente aos nossos olhos e ouvidos durante o curto período de exibição – oficialmente 85 min, mas é preciso ressaltar que cerca de 10 são gastos para a apresentação dos créditos finais. O fato de ser um filme curto talvez contribua positivamente para a sua apreciação, conseguindo arrancar dos espectadores algumas boas gargalhadas enojadas e outras decorrentes de momentos que causam admiração; admiração formada por partículas de humor bastante inteligente que se soltam vez ou outra da película.

Espertamente os diretores fizeram sua comédia com um pastiche de filmes de amor que alcançaram grande sucesso junto ao público, compostos de razoável apelo sentimental e rasa “índole”: “O Casamento de Seus Sonhos”, “Casamento de Seu Melhor Amigo” e, principalmente, como obra inspiradora máxima, “Casamento Grego”. Desse último foi adotada toda a espinha dorsal da história, como a composição da família de Julia (Alyson Hannigan) – no caso aqui, amalucadamente, não somente grega mas muito mais universal, compreendendo também um mistura de japoneses, afro-americanos, judeus e indianos – que tem um restaurante onde, infeliz e desejosa, ela trabalha. Até a velha fixação do pai pelo limpador de vidros, como a verdadeira fórmula mágica para curar tudo, está lá. Citações são o combustível dos pastiches e elas não se restringem apenas a filmes, aqui: há um Michael Jackson que tenta, ao fundo de uma cena, seduzir uma criancinha com boneco na mão e gritinhos característicos; situações que remetem ao fetichismo masculino quando a gostosíssima Andy (a cantora neozolandesa Sophie Monk) interpreta diversas situações bizarras de sedução como, sair da piscina em câmera lenta andando e rebolando na direção da câmera e lavar carros de shortinho de lambuzando toda com a espuma, por exemplo; cenas de dança na rua, com um balé de enormes e desproporcionais traseiros femininos, musicados pela verdadeira peste que é essa música negra sexista que invadiu rádios, tímpanos e bom senso do mundo todo.

Julia enormemente gorda e infeliz procura um outro destino que não o de ficar eternamente trabalhando no restaurante da família e encontra, apropriadamente, a oportunidade quando se apaixona instantaneamente por um cliente, o britânico – somente na aparência, pois o comportamento, quanta diferença – Grant Comotuafiglia (Adam Campbell). Incrivelmente, à melhor maneira das comédias românticas, ele também se apaixona e as situações de erros e senões se avolumarão e tomarão corpo, conduzindo o filme pelo estranho – nem tanto, vá, já estamos acostumados a isso – mundo das bizarrices. A garota é levada por uma espécie de conselheiro sentimental, Hitch (Tony Cox), a uma oficina de recauchutagem de onde sairá um tanto modificada. Na casa da família inter-racial o bichano de estimação não é o que se poderia esperar: uma figura dócil, frágil, dependente e de “essência puramente animal”. Os pais do britânico Grant não poderiam ter comportamento mais americano, Bernie e Roz Comotuafglia (Fred Willard e Jennifer Coolidge), em mais uma ”singela” homenagem dos diretores: Dustin Hoffman e Barbra Streisand em “Entrando Numa Fria”.

Filme adentro as situações são condensadas no seu curto período de duração com a intenção de não deixar espaços vazios (barrigas), na tentativa de forçar o público a uma espécie de catarse-espasmódica por riso incontido. Espíritos desarmados é uma recomendação aconselhável para quem se dispõe a assistir esse tipo de comédia. Se bem que, se propõe a prestigiá-las, geralmente, já sabe do que está à procura. E para esse tipo de público o trabalho dos diretores Aaron e Jason não faz feio. Cumpre tra
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