ANJOS DA NOITE - A EVOLUÇÃO:


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Original: Underworld : Evolution
País: EUA
Direção: Len Wiseman
Elenco: Kate Beckinsale, Scott Speedman, Tony Curran, Derek Jacobi, Bill Nighy, Steven Mackintosh, Shane Brolly, Brian Steele, Zita Görög, Scott McElroy.
Duração: 106 min.
Estréia: 17/03/2006
Ano: 2006


Faltaram as baratas e os pernilongos


Autor: Cid Nader

Ai meu Deus que saudades dos tempos em que se faziam filmes de terror que nos assustavam pelo arrepio na base do cabelo, não como esses que insistem em invadir nossas telas para nos fazer vomitar ante tamanha exposição de sangue e entranhas. Saudades das armas e maneiras utilizadas para dar cabo dos monstrengos que sempre teimaram em aterrorizar a humanidade – desde os tempos mais ancestrais -, como lustrosas balas de prata, estacas de madeira puramente natureza, respeitáveis e santificadas cruzes ou uma singela réstia de alho – mais natureza ainda -; nada de sub-metralhadoras, revólveres para lá de automáticos, bombas comandadas por controles internos hiper-cibernéticos, quanto mais o uso inaceitável do helicóptero. O que dizer então daquelas figuras com cara de civilização antiga, que já apareciam para nós – na fase monstro – transformadas e devidamente travestidas, num demonstrar de classe e finura que deveria deixar envergonhados esses dos filmes atuais, que se transformam despudoradamente aos nossos olhos, com um estilhaçar de pele para cá, esticar de ossos para lá e baba, muita baba. Mas o pior de tudo é essa geléia geral: antes vampiro era vampiro e lobisomem, honrada e respeitosamente, somente lobisomem mesmo; nesse filme, “Anjos da Noite – a Evolução”, conseguiram até criar um ser híbrido – falta de respeito.

Dizem por aí que o diretor Len Wiseman filmou esse seu trabalho em 71 dias – muito pouco para os padrões primeiro-mundista -, algo que parece bastante provável pelo fraco desempenho conseguido dos atores – ou seriam um bando de canastrões? – e pelo péssimo trabalho de arrematação na mesa de montagem – computador, vá lá -, com o pior uso de música de suspense a que presenciei nos últimos tempos e mais fraco desempenho nos momentos que precediam os dos intermináveis embates – como numa depressão atmosférica que antecede a tempestade, quando a ventania cessa e o ar parece estagnar.

O uso dos efeitos computadorizadamente especiais – e aí deve ter sido gasto todo o tempo imaginado para a conclusão de um trabalho com esse padrão excessivo-visual – obviamente é menina dos olhos do diretor, provavelmente a razão de ser do filme. Do início ao fim vemos lobisomens estourando de um lado, vampiros piruetando do outro, câmera lenta onde se pode notar partículas inidentificáveis voando plasticamente após cada choque corporal e imagens granuladas por captação – provavelmente – em digital nos momentos de flash-back, quase sempre – também – em câmera lenta. Fica óbvio quando um filme é feito com a intenção de agradar as platéias através do uso indiscriminado de técnicas que deveriam servir apenas como suporte, jamais como a essência principal da obra. E é matemático o resultado – “artisticamente falando” -: uma bomba, que invariavelmente acaba por cair em nossos colos, numa escura sala de cinema.

Nesse filme, continuação de “Anjos da Noite – Underworld”, reencontraremos a vampira Selene (a linda e péssima atriz, Kate Beckinsale) que na companhia do amado híbrido – pode? – Michael (Scott Speedman) sai à procura de Marcus (Tony Curran) – uma espécie de maioral entre os vampiros – para uma tentativa de acordo, no que é muito mal sucedida. Marcus na realidade imagina eliminá-la e daí o pretexto para a pancadaria está armado. Pede ajuda a Adrian Tanis (Steven Mackintosh), um exilado que n primeira aparição faz com que desejemos tal exílio como uma boa maneira para se passar os dias. Entra na história o irmão lobisomem do vampiro mais poderoso, entra também o mais antigo e provavelmente ancestral da turminha, sem cerimônias as balas pedem passagem acompanhadas de umas bombas todas modernosas e um helicóptero.

Desde o início encasquetei com o tal helicóptero. Ficava matutando: mas por quê? Para quê? Aí tem coisa! E lógico, tinha. A cena em que ele – sim o próprio – se sobrepõe a todos os outros e arroga o papel de ator principal é patética e devidamente pertinente às reais intenções e poder de alcance intelectual da trama. E acontecem beijos apaixonados e “aprochegos” amorosos para quem estiver procurando, além da ação, uma história de amor.
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