GATÃO DE MEIA IDADE:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Antônio Carlos da Fontoura.
Elenco: Alexandre Borges, Júlia Lemmertz, Ângela Vieira, Thaís Ferçoza, Cristiana Oliveira, Lavínia Vlasak, Rita Guedes, Bel Kutner, Flávia Monteiro, Paula Burlamaqui, Alexia Deschamps, Paulo César Pereio, André de Biase.
Duração: 90 min.
Estréia: 17/03/2006
Ano: 2006


“Gatão de Meia Idade” – meia idade nas idéias


Autor: Cid Nader

Miguel Paiva, cartunista, nascido no Rio de Janeiro, tiras principais: Ed Mort, Radical Chic e Gatão de Meia Idade.

Antonio Carlos Fontoura, diretor de cinema, filmes principais: “A Rainha Diaba”, “Copacabana Me Engana”, “Espelho de Carne”... Também diretor de televisão tendo como principais produtos: as séries “Ciranda, cirandinha” e “Plantão de Polícia”.

Junção de trabalhos dos dois realizadores: o filme “Gatão de Meia Idade”. Tira de um, veículo de outro. Resultado: algo que não é filme – com certeza – e não é tirinha de jornal – falta-lhe qualquer tipo de ligação com o grafismo, com o traço.

Pensando bem, “Gatão de Meia Idade”, a tira, não pode ser considerado dos produtos mais apreciados na categoria. Sempre transitou entre o “deslocado politicamente” e o “sem graça mesmo”. O personagem, desenhado de maneira muito limpa, nunca mostrou personalidade razoavelmente interessante ou instigante o suficiente para que pudesse ser considerada figura adotável pelos apreciadores do gênero. A insegurança que sempre o caracterizou como um ser na eterna busca da mulher ideal – externamente através do apelo sexual e embrionariamente na busca daquela que pudesse dominá-lo e orientá-lo à melhor maneira materna -, destoa e afasta-o do charme e carisma de seu irmão por criação, “Ed Mort”.

Já “Gatão de Meia Idade”, o filme, resultou num produto indefinido, sem identidade artística, isto é, não representa em nenhum momento o mundo das canetas onde foi criado e está a anos-luz de ser obra que represente o cinema – como meio mesmo, como linguagem. Falta-lhe qualquer tipo de coerência narrativa – formal ou informal -, peca em excesso no quesito interpretações, não dá para imaginar que tenha algo parecido com o se pode imaginar por roteiro, sem falarmos em montagem, decupagem ou qualquer outro técnico razoável que possa vir à cabeça. O mais impressionante de tudo é que o realizador desse alguma coisa – não vou ousar chamá-lo de filme -, Antonio Carlos Fontoura, está inserido no rol dos diretores atípicos – no melhor e mais respeitador sentido do termo -; aqueles tipicamente brasileiros de elite – tanto pela qualidade, quanto pela ousadia, marginalidade e opção de realizador bissexto. Seria uma tentativa razoavelmente válida creditar esse seu tremendo equívoco cinematográfico ao fato de ter se tornado homem de televisão, também, mas a sua ficha na telinha inclui grandes e inovadoras – em seu momento – peças; portanto, motivo descartado.

A história – se é que existe realmente uma – peca pela indefinição de princípios. Ameaça fazer do mundo machista do personagem um de seus motes e, de maneira politicamente, recua. Aventa a possibilidade de inflamar a libido masculina com um suceder belas e bem nutridas mulheres pela tela – Paula Burlamaqui (a única que realmente compra a idéia e mostra um pouco, antes de sair de cena), Lavinia Valsak aparece por três minutos esconde os seios e, área; Ângela Vieira no papel de dominadora de meia-idade constrange... – mas nega fogo. Tenta discutir o relacionamento entre pais separados e filha, mas acaba por não saber o que dizer. Enfim.

Resta saber de quem seria a culpa maior por isso que está estreando agora em nossas telas. Uma coisa é bastante certa: o cinema nacional tem primado pela incoerência e falta de uma melhor qualidade no grosso do que tem apresentado. As exceções deveriam ser a regra – tem muito mais a ver com nossa tradição e qualidade. Antonio Carlos Fontoura maculou a sua “anti-carreira” – ou teria tentado imaculá-la.
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