FIREWALL - SEGURANÇA EM RISCO:


Fonte: [+] [-]
Original: Firewall
País: EUA
Direção: Richard Loncraine
Elenco: Harrison Ford, Virginia Madsen, Paul Bettany.
Duração: 106 min.
Estréia: 10/03/2006
Ano: 2006


"Firewall, Segurança em Risco" - cuidado


Autor: Cid Nader

Esses americanos ficam entregando o ouro para o bandido e depois choram o leite derramado - já que por vezes criam roteiros e tramas tão mirabolantes e intrincadas que para os larápios fãs de cinema de plantão, o caminho das pedras que é entregue de mão beijada acaba por significar que uma boa empreitada em busca do dinheiro do alheio é cartada tão certa quanto favas contadas.

Filmes que se sustentam através de quebra-cabeças montados por peças que representam o que há de mais avançado em alta-tecnologia, tendem a ser aceitos pela grande maioria como peças de engenhosidade irretocável em sua criação - até porque, boa parte do que se faz na tela nesses momentos soa como grego antigo para índios "cinta-larga". Em sã consciência, não temos condições de questionar tais firulas tecnológicas, o que faz com que, por outro lado, por medo de explicitarmos nossa "ignorância", nos calemos, pior, elogiemos a engenhosidade e capacidade de diretor e equipe por tão refinado produto "esperto" com o qual nos presenteiam.

Verídicos os procedimentos ou não, é de deixar embasbacado o quão ditos e expressões populares - como as que usei no início desta explanação - perderam em urgência, pertinência e razão de ser, perante esse nosso mundo atual, altamente informatizado e anódino, num processo relativamente recente, mas de tal velocidade invasiva que faz com que coisas comuns até bem pouco tempo tenham a cara e a vestimenta rudimentar e pesada da idade média.

"Firewal, Segurança em Risco", caminha por algumas situações que merecem algumas considerações extra-cinema. O fato de indicar caminhos para realizações, digamos assim, não muito regulares por parte do "amigo do alheio", contrasta em gênero e número aos temores, receios, prevenções e paranóias que acometem a capitalista sociedade norte-americana, principalmente quando qualquer perigo possa parecer estar se avizinhando dos bolsos recheados ou outros meios "mais seguros" de preservação do tão - por eles - amado vil metal. Se contarmos com a possibilidade de que as artimanhas tecnológicas utilizadas na trama sejam de razoável teor crível - portanto, jogando-me à luz da verdade, com toda a minha ignorância, perante os olhos de possíveis leitores -, qualquer ser um pouco mais atualizado e antenado com o mundo virtual e que não tenha uma apreciação tão careta pelos modos mais comuns de se ganhar a vida, sairá do cinema com esquemas prontos e delineados, rumo à fortuna. É um tremendo contra senso ao espírito defensivista dos poderosos donos do dinheiro - inclua-se aí, produtores e estúdios -, essa aposta sistemática neste modelo de película. Mas a sociedade norte-americana utiliza os meios menos esperados quando o assunto é a defesa da família e o enaltecimento das bases de uma estrutura correta e careta, desde que, ao final - não importa se foram dizimado algumas dezenas de iraquianos ou instruído didaticamente larápios -, se possa contar com um abraço apertado e emocionado de pais sobre a prole.

Encaminhando minhas divagações na direção de "Firewall, Segurança em Risco", percebo que existe um contra senso entre o que acontece no transcorrer do thriller e a realidade "família antes de tudo", lá pelas bandas da América do Norte. O especialista em segurança de computadores, Jack Stanfield (Harrison Ford), que trabalha para um grande banco, ao ter sua casa invadida e a família dominada por um bando de ladrões tecnológicos, reage da maneira menos esperada por quem defende o conceito da família como centro do universo, colocando-a em risco por diversas e inumeráveis vezes, na tentativa de defender o patrimônio da instituição bancária. Seria mesmo um contra senso ou a discussão se faria mais complexa se analisada por óticas mais estreitadas? Pois que o país símbolo do capitalismo venera o dinheiro e seu poder à maneira de religião, e estou falando sério, e a fusão família/religião é algo tão natural para eles quanto a necessidade de ar e água. Defender a grana - mesmo ao se colocar em risco a estrutura familiar - é fator primordial, a partir do momento que pareceria impecável a sobrevivência, aos nossos irmão ianques, sem uma estrutura logística bem montada - e isso requer investimentos em alta monta.

O filme caminha por um misto de altas doses de tecnologia - momentos em que, tecnicamente, o diretor Ricarda Londrina consegue bons momentos magnéticos, colocando na tela elementos de composição bastante interessante - e tremenda maldade violenta. Vil Coxa (caracterizado pelo ator inglês, Paula Betânia) é a personificação do líder temido, por sua saga cidade e por sua frieza na hora de usar a violência. O filme caminha tropeçando nesse excesso de clichês sanguinolentos, que assustarão a platéia mais inocente; aquela que não imagina como se dará o desfecho de tão intrincada tramóia. É desses filmes que se vêem aos montes, construídos pelos grandes estúdios para arrancar dinheiro a qualquer custo; com as devidas variações científicas - determinadas pelo avançar da humanidade.

Há uma grande cena. A mais manejada, mais bonita, humana: envolve o cachorrinho da família, Riste, maldosa mente - vá ser mal assim lá longe - abandonado pelos desalmados, num terreno enlameado e molhado. Se você é daqueles que só gosta de gatos, mudará de idéia.
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