CRY WOLF - O JOGO DA MENTIRA:


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Original: Cry Wolf
País: EUA
Direção: Jeff Wadlow
Elenco: Julian Morris, Lindy Booth, Jared Padalecki e Jon Bon Jovi.
Duração: 90 min.
Estréia: 10/03/2006
Ano: 2005


"Cry Wolf" - barato


Autor: Cid Nader

O que mais chama a atenção nesse suspense pós-adolescente é a cifra anunciada pelos distribuidores que foi utilizada pra a sua confecção. Participante de um concurso que estipulava a quantia de US$ 1.000.000 para o vencedor, o diretor Jeff Wadlow diz que o maior desafio para o cumprimento da meta estipulada pela multinacional automobilística Chrysler, ao término do primeiro “Chrysler Million Dollar Festival”, foi o uso necessário e imprescindível da “criatividade” no dia-a-dia das filmagens. Num dia a o helicóptero estava sem a câmera adequada e sem combustível (?), no outro um singelo furacão fez com que a equipe tirasse uma semana de férias forçadas. E por aí vai. Se bem que, aqui no Brasil, com US$ 1.000.000, pensar em usar um helicóptero...

A opção por fazer um thriller como trabalho de iniciante está tão arraigada na cultura americana como o nome da montadora de automóveis. E o diretor, aparentemente, americanamente agradecido resolveu batizar a principal personagem feminina com o sugestivo nome de Dodger – coincidência ou não, só para lembrar os mais jovens, Dodge foi o carro mais popular da Chrysler nas décadas de 1960 e 1970, e levou o nome da empresa mundo afora como símbolo de modernidade e velocidade. Quando digo que “thrilleres” são parte importante da cultura americana, poderia estar ligando tal manifestação cinematográfica a outros símbolos indissociáveis, como o Sundae ou o Banana Split, o hambúrguer ou o hot-dog, os campi escolares e as interações de teor sempre peculiar entre os seus jovens alunos.

Optar, então, por premiar um suspense que se passe dentro de um campus, pode significar, antes de mais nada e acima de tudo, um sinal de grande esperteza e notório tino comercial por parte dos “premiadores” – inocência seria pensar que concurso movido por um dos símbolos do capitalismo mundial não tomaria como uma das prioridades, ao seu desfecho, o retorno multiplicado do investido (através da divulgação do nome, logicamente). E o diretor não se fez de rogado. Compôs a sua obra com todas as ferramentas possíveis de serem usadas em filmes do gênero. Criou um suspense cheio de reviravoltas, sangue, violência, humor, enganos, gente jovem bonita, cenas à noite, feriados, bebedeiras, piscinas, campus vazios e, mais modernamente, o uso da Internet fazendo as vezes do mordomo, dos telefonemas anônimos ou das cartas apócrifas.

Nada de surpreendente ou sacadas espetaculares na trama, o que acabará por deixar os espectadores mais afeitos com um certo ar de descontentamento ao término da sessão. Mas a gana – bastante perceptível – demonstrada, tanto pelo diretor quanto pelos atores, eleva o filme àquele patamar de obra honesta; fato bastante raro nos dias de hoje.

A história coloca um novato, Owen (Julian Morris), em meio ao companheirismo de turma mais antiga e bastante unida, chegada a fazer joguinhos maquiavélicos quando se reúnem para sessões de bebedeira na capela do campus. Ele sente uma queda instantânea pela veterana Dodger (Lindy Booth) que acaba por cumprir papel de elo de ligação ente o novato e a veterana turma. Paralelamente às atividades estudantis ocorre o assassinato de uma outra jovem e pronto, está montado o que virá a seguir.

Longe de ser algo a ficar marcado na longa e numerosa história dos filmes de suspense, “Cry-Wolf, O Jogo da Mentira” leva a vantagem de ter sido concretizado com alma e garra –como já havia dito anteriormente -, ainda mais em dias que nada de bom tem sido oferecido a nós, aflitos cinéfilos em busca de bons sustinhos.
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