RITMO DE UM SONHO:


Fonte: [+] [-]
Original: Hustle and flow
País: EUA
Direção: Craig Brewer
Elenco: Terrence Howard, Anthony Anderson, Taryn Manning, Taraji P. Henson, Paula Jai Parker, Elise Neal, DJ Qualls, Ludacris e Isaac Hayes.
Duração: 116 min.
Estréia: 03/03/2006
Ano: 2005


Concessões estragam "Ritmo de um sonho"


Autor: Cesar Zamberlan

Minha expectativa em relação a “Ritmo de um Sonho” era tão pequena que eu até me encantei com algumas coisas do filme, mais precisamente com o retrato que o cineasta faz da sociedade negra totalmente marginalizada do Sul dos EUA, repleta de traficantes, prostitutas e cafetões que não têm saída alguma para fugir dessa situação e que encontra na música, no caso aqui o rap, uma possibilidade, mesmo que mínima, para ser alguém.

Essa questão político-racial que o cinema norte-americano já retratou tão bem, vide “Faça a coisa certa” de Spike Lee e até “Donos da Rua” de John Singleton que por acaso também é produtor desse “Ritmo de um sonho”, surge aqui com força nas duas primeiras partes do filmes, sobretudo na primeira, mas se esvai quando o filme, nos minutos finais faz aquelas concessões tão conhecidas em se falando de cinema norte-americano. Não temos o happy end padrão, mas o registro mais realista sai de cena para mais uma consagração do “american dream”. Consagração tímida sim, e até um tanto forçada em decorrência de todo o caos mostrado anteriormente.

Essa reviravolta final, tão comum ao cinema norte-americano, estraga “Ritmo de um sonho”, trai de certa forma o espírito transgressor e político do próprio rap e mostra que aquele ar de filme independente do início era mera fachada, algo para criar um estilo mesmo e quem sabe receber alguma indicação para algum prêmio importante. Bom lembrar que “Ritmo de um sonho” concorre ao Oscar de melhor ator com Terrence Howard, também foi indicado ao Independent Spirit Awards e ao Globo de Ouro, e ao Oscar de melhor canção original com “It's Hard Out Here for a Pimp", além de ter faturado no Sundance, o prêmio de fotografia e o de melhor filme pelo voto popular.

Longe de ser um desastre, longe também de se igualar a Spike Lee ou ao melhor Singleton, “Ritmo de um sonho” tem suas qualidades e seria muito melhor se não se entregasse de bandeja à indústria e ao mercado. Ironicamente o filme tem a marca MTV, aquela que um dia também se dizia independente e transgressora.

Leia também:


"Ritmo de um sonho", mais uma vez.