BAMBI 2 - O GRANDE PRINCIPE DA FLORESTA:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA
Direção: Brian Pimental
Elenco: Animação.
Duração: 76 min.
Estréia: 17/02/2006
Ano: 2006


Bambi 2 - Só para crianças


Autor: Cid Nader

Essa moda das refilmagens parece que pegou mesmo e pior, está se espalhando feito fogo em capim seco. Aparentemente, com desculpas variadas, os grandes estúdios perceberam ser tal tática um filão interessante a ser explorado. A falta de bons roteiristas tem sido reclamada já há um certo tempo e tal falta cai como luva na mão espalmada que complementa - visualmente - o queixume. Apostar em antigos sucessos, soa aos ouvidos dos produtores como música de qualidade certa e comportada - sem os, por vezes necessários, atonalismos ou letras em formato de Hai-Kai -, longe de qualquer possível ousadia acústica.

Já estou vendo o dia em que "Cidadão Kane" será oferecido ao público devida e adequadamente re-roteirizado e com fugazes instantes de câmera na mão; ou no trenó. Comentarão os donos do poder: "já que foi um filme revolucionário podemos ousar um pouco também, não?"

Os estúdios Disney, - já acusados de deformadores culturais, exploradores da mão-de-obra-artística barata e conservadores de extrema-direita, principalmente pela figura que continua muito viva de seu criador, Walt - têm o mérito de ainda apostar nas animações e nos desenhos como um segmento forte e importante em sua produção. Agora - mais de acordo com a má fama amealhada com o passar dos anos - resolveram também entrar na seara das refilmagens de clássicos, investindo num dos mais lembrados e queridos pelas velhas, médias e novas gerações.

E eis que surge "Bambi 2". Cheio de defeitos e virtudes. Tentando pensar como se fosse um dos interessados no sucesso da empreitada selvagem de pelúcia, imagino que o público alvo a ser atingido - tendo em vista o resultado alcançado pelos realizadores - seja o das criancinhazinhas; aquelas, de olhos brilhantes e bem pequenininhas. A história é recheada de mensagens edificantes, passadas do rei de sua manada - o mais forte, mais vigoroso e esbelto -, o pai de Bambi, para o filho. Ele chama o seu rebento de príncipe, incitando-o a agir como tal, soberanamente e com coragem, acima de tudo; sem indecisões, que não podem passar pela cabeça de um líder.

Bambi é um orfãozinho de mãe que divide seu tempo entre brincar com os melhores amigos - o coelhinho Tambor, o gambazinho Flor e a alcezinha apaixonada, Faline - e na tentativa de passar ao mundo adulto, sendo cobrado sempre e insistentemente pelo pai.

O filme é quase sempre careta, principalmente por conta da necessidade premente - e insistentemente propalada - de se aprender a lutar pela sobrevivência. Mas melhora muito nos momentos em que investe no humor, com piadinhas carregadas de um tom um pouco mais adulto, proferidas, paradoxalmente, nos momentos em que os amiguinhos - todos desenhados de maneira arredondada, ou fofa, higienizada e asséptica demais (como se fossem bichinhos de pelúcia, com exceção do design do Bambi) - estão reunidos e aprontando das suas como qualquer criança.

Entre as virtudes está o fato de "Bambi 2" ser todo desenhado a mão - na última e remanescente unidade dos estúdios Disney dedicada a essa técnica; situada na Austrália. As cores me pareceram um pouco mais esmaecidas, e os movimentos mais contidos, na comparação com o desenho original.

Defeitos e virtudes à parte chega a roubar a atenção a mistura de sotaques na dublagem brasileira. Há o indefectível "puxxxxxado" carioca, um "entennnnndo" tremendamente paulistano e uma maluquice nordestina/acaipirada/nervosa, emprestada ao porco-espinho de plantão.
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