EDISON - PODER E CORRUPÇÃO:


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Original: Edison
País: EUA
Direção: David J. Burke
Elenco: Morgan Freeman, Kevin Spacey, LL Cool J, Justin Timberlake, Piper Perabo e Dylan McDermott.
Duração: 97 min.
Estréia: 03/02/2006
Ano: 2004


"Edison" - melhor o nosso "Confronto Final"


Autor: Cid Nader

Existem filmes que preferivelmente deveriam ser prestigiados com a companhia de amigos muito bem humorados, ante a possibilidade de diversão garantida e escrachada que nos possibilitariam se procurássemos encará-los sob outras perspectivas que não a oficial; a do diretor. Na sessão de "Edison - Poder e Corrupção" tive que me conter - a muito custo - para não embarcar nesse outro processo de avaliação alternativa do que estava sendo exibido a mim, absolutamente atônito, na telona da sala de cinema. Minha acompanhante acabrunhou - com olhares enviesados e alguns muchochos - minhas primeiras reações alteradas que começavam a aflorar, espontaneamente, em forma de singelas gargalhadas, fazendo-me "ver" que os espectadores circundantes estavam a levar a sério aquela "estapafurdice" que o diretor David J. Burke teve a coragem de materializar em película.

Esse diretor, se não fosse levado a sério, estaria correndo o risco de ser apontado como o mais novo e espetacular virtuoso da vertente comédia non-sense dos tempos atuais. Mas, por azar dos azares, ele não confeccionou seu filme com olhos num público alegre e cuca fresca e sim ambicionando atingir uma platéia sequiosa de ação, sangue e "verdades" da mais vil qualidade. O pior de tudo é imaginar como teria ele conseguido cooptar as atenções de Morgan Freeman (Ashford) e Kevin Spacey (Wallace) para o seu projeto.

Wallace, dono de um pequeno jornal, tem a missão de incentivar um jornalista novato, Pollack (Justin Timberlake), a investigar com mais vigor e menos preguiça um assassinato cometido por policiais de uma unidade especial de combate a roubos e bandalheiras semelhantes. Tal unidade, denominada "FRAT", é caso que parece criado pelo próprio diabo, pela enormidade de barbaridades e maldades cometidas por ela desde sua criação - há 15 anos - até os dias de hoje. Acontece que David Burke resolve que, legal mesmo é criar uma história repleta de ação, explosões, sangue, efeitos especiais, falas absurdas e personagens canhestros a não dar mais.

O filme explode, range, fere nossos ouvidos e a tentativa de observá-lo pela ótica do bom senso. Há um policial, Lazerov (Dylan McDermott), que parece extraído do inferno dado o seu alto grau de maldade e violência, sempre reforçados por sorrisos sarcásticos e ouvir conversas por trás das portas. O homem é o próprio capeta, mas leva um prêmio especial por uma cena na qual, após ser esculachado por seu superior - que já não agüenta mais a enrascada em que se encontra toda a corporação, por atitudes e obras impensadas do indivíduo - e prestes a acertar contas da maneira mais habitual - normalmente nada recomendável para quem preserve os dentes, por exemplo -, rende-se como carneirinho domado e bobinho, sob o efeito das palavras do esperto chefe ameaçado, que chama-o de "meu braço direito" com cafunezinho, afago e tudo mais.

Outras situações, durante todo o filme, são absolutamente insustentáveis pela pífia carga dramática emprestada à obra, que não tem nenhum compromisso com um mínimo de bom senso e respeito a qualquer ser que resolva pensar um pouquinho só. O jovem jornalista que diz pretender ganhar um Pullitzer, em momento inadequado; a dança solitária do veterano Morgan Freeman; a cara de aparente constrangimento durante todo o transcorrer da história, visivelmente reforçada pelos cabelos recém-pintados; a cena de extermínio cometida pelo policial Deed (LL Cool J) ao final; explosões "magníficas"; mãe que reage no leito de doença ao som da voz do filho e um diálogo que reforça as qualidades de ser professor junto ao imaginário feminino. São tantas emoções baratas.

Por isso que digo, novamente: é filme para ser apreciado com espírito espevitado, na companhia de amigos, sem nenhum compromisso com a real mensagem que quer ser passada. Melhor: não veja não. Dias de muito bom humor nem sempre são fáceis de aparecer, ou manter.

P.S.: se quiser se divertir à custa dos erros de um diretor, opte pelo brasileiríssimo e mineiríssimo "Confronto Final". Prestigie os produtos nacionais.
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