A MULHER DO MEU IRMÃO:


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Original: La Mujer de mi Hermano
País: Mèxico / EUA
Direção: Ricardo de Montreuil
Elenco: Bárbara Mori, Christian Meier, Manolo Cardona, Gaby Espino, Beto Cuevas, Bruno Bichir e Angélica Aragón.
Duração: 90 min.
Estréia: 27/01/2006
Ano: 2005


Novela mexicana para lá de descartável


Autor: Cesar Zamberlan

Certos filmes devido a sua poesia e beleza ficam colados à nossa retina por horas e horas, dias, às vezes meses provocando um duradouro estado de epifania, lembro, nesse caso de 2046 de Wong Kar-way; outros, caso de “A Dama de Honra” de Chabrol ou “A Chave de Casa” de Gianni Amélio, são tão perturbadores que é até mesmo difícil andar depois da projeção deles ou fazer tarefas banais como esperar o verde para atravessar a Paulista, são filmes perigosos porque mexem como ligações cerebrais, causando mais que desconforto, um descompasso. Voltar ao normal depois desses filmes é uma tarefa difícil.

Bem, faço essa longa digressão para dizer que com o filme “A mulher do meu irmão” não acontece nenhuma destas duas experiências, mas, sim, uma terceira, bem diversa. Tão logo o filme termina e você deixa a sala, já lembra da conta que tem que pagar, do calor lá fora, do telefonema que tem que fazer, de tudo, menos do filme.

Escrever sobre ele, tendo-o visto numa cabine para imprensa há cerca de dez dias é, portanto, uma tarefa árdua - se esqueci dele logo que sai do Espaço Unibanco na cabine, imagine agora - por outro lado, como o leitor deve estar notando, não há muito a dizer, aliás, há pouquíssima coisa a dizer.

Como o título já diz, “A Mulher do meu irmão” retrata um triângulo amoroso, mostrando o envolvimento do irmão pela cunhada, ou de uma cunhada pelo irmão, tanto faz. Algo já bastante explorado na literatura – o filme é uma adaptação de um livro homônimo de Jaime Bayli – e pelo cinema. Mas, diferentes de outros filmes ou livros sobre o tema, este não traz nada de novo ou o que é pior traz todos os clichês do gênero, o melodrama e um melodrama bem peculiar: o mexicano.

O irmão é Gonzalo, e apesar do título não é ele que narra a história, a cunhada é Zoe e o marido de Zoe é Ignácio. Ignácio trabalha duro na fabrica da família e está casado com Zoe há 10 anos, ela, lógico, é linda, mas o filme explora muito timidamente essa beleza, uma pena. Ignácio só quer transar com ela aos sábados, acha que assim toda a excitação e energia ficam acumuladas para um momento especial. Ela sobe pelas paredes. Já Gonzalo, o irmão rebelde, é artista plástico, recebe uma mesada do irmão e não está nem aí para os negócios, quer curtir a vida, sem ter compromissos ou amarras e ao contrário do irmão todo certinho e mauricinho, é mais descolado e papa todas etc etc.

Se os tipos são manjados – esqueci, há também o amigo gay de Zoe e o padre amigo de Ignácio - o desenrolar da história também não traz nada de novo. Zoe dá bola para Gonzalo e eles acabam indo para a cama, o irmão descobre e... O curioso é como o filme vai resolver ou justificar essa traição, como vai lidar com a culpa de Zoe e Gonzalo, como vai resolver a questão entre os irmãos – lances surpreendentes do passado ao melhor estilo novela mexicana – e como o triângulo, ou melhor quarteto, sim pinta um bebê na história, se fecha.

Se você ficou curioso é quer saber como isso se resolve, problema seu, afinal o dinheiro e o tempo são seus, só não se esqueça que eu avisei que se trata de um novelão mexicano, ou seja, você sabe de tudo, só não imagina que o diretor, roteirista, autor do livro foram capazes de criar algo tão banal e idiota. Sabe aquela coisa manjadíssima do celular que dispara por acidente uma ligação pro último número discado e a pessoa ouve o quem não deve. Pois é, isso acontece, entre outras coisas do tipo. Fuja ou pague pra ver.

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