O ASSASSINATO DE RICHARD NIXON:


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Original: The Assassination of Richard Nixon
País: EUA/ México
Direção: Niels Mueller
Elenco: Sean Penn, Naomi Watts, Don Cheadle, Jack Thompson, Brad William Henke, Michael Wincott, Mykelti Williamson, April Grace, Lily Knight, Jared Dorrance, Jenna Milton, Mariah Massa, Eileen Ryan, Derek Greene, Joe Marinelli e Robert Kenneth Cooper.
Duração: 95 min.
Estréia: 27/01/2006
Ano: 2004


“O Assassinato de Richard Nixon” - Sean Penn


Autor: Cid Nader

Quando aparece no início ou final de um filme o famigerado “inspirado em fato real”, é de se supor que, por conta de verdades inequívocas que não poderiam ser omitidas, o diretor sempre terá boas desculpas a serem usadas no caso de fracasso ou má aceitação de seu rebento.

O diretor estreante, Niels Mueller, espertamente se cercou de duas máximas capazes de segurar sua barra durante e ao final de seu projeto. Ao final, a desculpa sempre possível da falta de liberdade total por conta do tal “inspirado em...”, a mais esperta e segura, usada durante o processo, foi a aquisição do trabalho de Sean Penn para desempenhar o papel central; no caso o de Samuel J. Bicke.

Sean Penn se faz porto seguro para qualquer diretor que se preze. É um ator atípico e à parte da grande maioria. De personalidade forte, introvertida e única, já foi considerado um verdadeiro “bad boy” nos Estados Unidos – principalmente por alguns membros da imprensa que chegaram a ter o dissabor de sentir na pele, olhos, e nariz, o mau humor do rapaz, em tempos mais juvenis. Essa sua aversão a alguns tipos de situações encontraram outras maneiras menos explosivas, digamos assim, de se manifestar com o passar do tempo, e fizeram surgir uma pessoa engajada em atitudes políticas pertinentes, indo contra a política belicista do governo de seu país, abertamente e com ações. Por conta de sua colocação diferenciada ante o sistema imperante no mundo do cinema, sempre teve um bom tino para a escolha de bons papéis, normalmente de teor mais complexo e introspectivo.

A história desse filme que se inicia no ano de 1974, mostra um homem de 44 anos, Samuel J. Bicke, atormentado pela separação no casamento – mais ainda pela recusa da ex-mulher numa reaproximação, Marie (Maomi Watts) -, isolado do irmão por motivos que o filme se encarregará de explicar e iniciando num novo emprego que vai contra todos os seus princípios quanto ao relacionamento humano. Sean Penn compõe um personagem para lá de atormentado, desesperançado e sem perspectivas fora do casamento. O tipo do sujeito que não cabe muito nesse mundão cruel e que, tende a enveredar por caminhos irregulares e sinuosos para poder se localizar.

O diretor, paralelamente à história do par central, focaliza também todo o processo que envolvia o então presidente Richard Nixon que, mesmo a caminho da cassação, ainda conseguia enganar uma parcela generosa da população. Aliás, o fato de enganar a alguém, engrossa os dilemas de Samuel durante o transcorrer da película, justamente num momento em que tem que sobreviver como vendedor – portanto tem que ser um profissional na arte de mentir, segundo os conceitos de seu patrão. Só que Niels conduz o filme por uma via de desencanto que até funciona por parte de seu desenrolar, mas erra na hora escolher o ponto da calda e permite que ela engrosse demais, fazendo com que o trabalho que antes incomodava somente pelo desencanto do porvir, ganhe peso e se mostre um tanto indigesto.

Situar o filme num momento político específico, faz parecer que o diretor necessitou de um truque a mais para desenvolver seu trabalho inicial. Mas o principal problema se situou no fato de saber o momento exato de encerrar. Passou um pouco do ponto.
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