MALDITO CORAÇÃO:


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Original: The Heart Is Deceitful Above All Things
País: EUA/ Reino Unido/França/Japão
Direção: Asia Argento
Elenco: Asia Argento, Jimmy Bennett, Dylan Sprouse, Cole Sprouse, Tim Armstrong, Ben Foster, Jeremy Sisto, Winona Ryder, Michael Pitt, Kip Pardue, Ornella Muti, Marilyn Manson e Peter Fonda.
Duração: 97 min.
Estréia: 27/01/2006
Ano: 2004


"Maldito Coração" - filha de peixe nem sempre peixinho é!


Autor: Cid Nader

Asia Argento parece querer fazer valer, na marra, o ditado: "filho de peixe...". Filha de Dario Argento - cultuado diretor do cinema de terror que anda na contramão, ou nas vias marginais, do que se acredita ser o real modo de confeccionar a sétima arte -, Asia, que já atuou em uma infinidade de produções e dirigiu outras tantas, parece que encasquetou a idéia de que tem por obrigação genética seguir os caminhos alternativos do pai, e que não existe mundo fora do cinema; para nosso azar.

Fazer filmes "trash", por mais paradoxal que possa parecer, é algo que se consegue com uma parcela de dom divino e outra de razoável compreensão da história do cinema. Mais ou menos assim: se você vai combater um inimigo ou rival em ideais e meter a cara, de peito aberto, sem conhecimento da topografia do terreno inimigo em que está adentrando, com certeza a chance de não alcançar o intuito ou atingir o alvo se reduz drasticamente. Asia imagina que fazer filmes "B" não requer sabedoria no assunto, e nos entrega um filme de baixa qualidade estética que não se segura nem por isso, nem por um informalismo cool ou fundamentado nos campos das aberrações.

"Maldito Coração" é pretensamente feito para chocar, mas não passa de "pueralidade" ditada pela modinha e pelos apelos moderninhos. Colocar Marilyn Mason no filme, com seu jeito assustador de porta de butique, já evidencia o caminho escolhido por ela para desenvolver suas pretensas esquisitices. O filme conta a história de uma mãe solteira, Sarah (a própria Asia Argento), que abandona o rebento indesejado, Jeremiah (interpretado por atores diferentes em cada fase da vida), pior que à própria sorte, aos cuidados de pais carolas e de pensamentos retrógrados a não dar mais. Mais um embuste do filme, tenta escorar-se no poder de atores veteranos e carismáticos para dar credibilidade aos personagens dos pais, Ornella Muti e Peter Fonda. Parece que o embuste ganha mais um braço pela origem do autor do livro escolhido onde se baseia o roteiro do filme, J.T. Leroy, um autor de obras que tem relativo sucesso num certo segmento, mas que parece se utilizar da figura de modelo andrógeno para criar gênero, sem na realidade escrever os seus próprios livros - os autores seriam dois jornalistas norte-americanos.

Asia, carrega o filme com situações que beirariam o limite do suportável pelas pessoas caretas que habitam esse mundo: pedofilia, violência, prostituição, abandono de filho pelo apelo animal dos feromônios, diabos rondando - com canções de anti-cristo - e rechaçados por manifestações típicas de exorcismo empreendidas por igrejas picaretas, dedão sensualmente chupado durante o sono que se pretende misto de infantil e erótico, moleque passando por transformação sexual ao som do Sex Pistols... Em um momento ela tenta criar um instante de alucinação distorcendo imagens com truque de câmera. Resultado: patético.

Mas quem acaba por não suportar tais situações é o público coerente de cinema que, envergonhado, deve se solidarizar: "coitado do Dario". Um filme que se apresenta como obra para chocar, com uma mãe relativamente viciada em sexo, e não apresenta uma cena de nu, faça-me o favor, compre-o quem quiser.
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