AS LOUCURAS DE DICK E JANE:


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Original: Fun With Dick And Jane
País: EUA
Direção: Dean Parisot
Elenco: Jim Carrey, Téa Leoni, Michelle Arthur, Gloria Garayua, Angie Harmon e John Michael Higgins.
Duração: 91 min.
Estréia: 20/01/2006
Ano: 2005


As Loucuras de Dick e Jane" - Jim Carrey e já basta


Autor: Cid Nader

Esperto o diretor que aposta na figura esguia de Jim Carrey, como caminho mais curto para a garantia da anuência do público, especialmente se o papel designado ao astro que surgiu de maneira mais abrangente em "O Máskara" for de opção pela comédia.

Portanto esperto Dean Parisot. Ele tomou para si a possibilidade da refilmagem de um clássico do cinema leve, e ao optar por Jim como seu astro principal, sabidamente injetou de gags - em quantidade infinitamente superior às da obra original - esse seu novo projeto. Com Jim no elenco, qualquer comédia que se preze larga na dianteira. Ele já está com as feições mais vincadas - quem não? - mas, inversamente ao que se poderia supor, parece que está com mais elasticidade ainda quando abusa das possibilidades de seu magro corpo, pondo à prova a resistência de seus ossos com tombos pra lá de espetaculares, que por vezes ainda recebem um toque final lembrando os encerramentos executados pelos atletas que praticam ginástica artística, ao final de uma exibição. Ninguém no cinema consegue arrancar gargalhadas da platéia por esse viés interpretativo. Sem nos esquecermos da quantidade e qualidade imensuráveis de caretas que consegue com simples movimentos de lábios, viradas de olhos e meneares de cabeça - a propósito e lembrando a minha observação a respeito das marcas faciais: parece que elas vieram somar a essa sua capacidade de usar as feições.

No filme que originou essa seqüência, os papéis centrais eram interpretados por George Segal - você há de convir: um ator um tanto mais contido que o atual - e Jane Fonda. Nessa "livre refilmagem" a companheira de Jim é Téa Leoni, que tem um timing totalmente diferenciado de Carrey para comédia, o que acaba por criar uma composição interessante no desempenho da dupla.

Na história, Jim trabalha no mundo dos investimentos e sonha alto, apesar do padrão de vida nada desprezível que mantém. É portanto presa fácil para gananciosos de maior quilate de plantão e, usado pelo chefe Alec Baldwin, cai numa armadilha, em rede nacional - na verdade um golpe na praça -, perde todos os seus investimentos, juntamente com centenas de pessoas de boa fé, e vê seu padrão de vida escoar ralo abaixo, com o passar do tempo.

A solução, após a falência total do casal, é a da via que trilha o caminho da ilegalidade. Começam a cometer, ou tentar, pequenos assaltos, situação aproveitada ao ápice pelos malabarismos do nosso astro-mor. Já no início dá showzinho, com saltos, ajeitar de roupas, limpar de dentes e principalmente uma interpretação primorosamente engraçada de "Starbuck" da Shade, apropriadissima para o momento, que indicava o paraíso como próxima etapa a ser atingida.

O diretor também tem função prática no bom desenvolvimento da película. Monta o filme com algumas boas sacadas de efeitos: quando divide a tela com imagens do noticiário, Jim Carrey apatetado e perdido, por vezes substituído pela aparição do papa da compreensão da economia americana e eterno candidato alternativo à Casa Branca, Ralph Nader, números e gráficos indicadores da economia e a iminência do crash que se aproxima, representado por desenho alarmante. No campo dos efeitos há as paradinhas no ar, durante os créditos iniciais, e um certo aparentamento com a obra dos irmãos Farrely, numa situação que envolve o cachorro e a solução encontrada para que lata menos.

Dean Parisot cria também situações que além de engraçadas pelo próprio aspecto de sua existência, têm razão futura de existir, como a do filho que fala espanhol, por influência da empregada latina, fenômeno que arranca gargalhadas numa situação futura com imigrantes e tudo mais.

Lógico, que como filme que envolve a boa índole do povo trabalhador que se vê expropriado do fruto de sua labuta, o filme ganha ares de soluções "Frank Caprianas", o que combina com o jeito de bom moço americano de Jim Carrrey. Mas, nos créditos finais, o diretor investe pesado e com bom humor, ainda, contra os "falcatruístas" do capitalismo selvagem, numa singela homenagem.
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