Conan - O Bárbaro:


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Original: Conan - The Barbarian
País: EUA
Direção: Marcus Nispel
Elenco: ason Momoa, Rachel Nichols, Stephen Lang, Rose McGowan.
Duração: 115 min.
Estréia: 16/09/2011
Ano: 2011


Que falta de humor...


Autor: Por Cid Nader

Que esse novo Conan, O Bárbaro (representado no cinema pela terceira vez) é uma super-produção ao melhor estilo “grandes estúdios querendo mostra tim-tim por tim-tim todo o dinheiro gasto sendo ostentado na tela por cenários e imagens espetaculares”, não há como negar. Toda a parafernália computadorizada, o excesso de coadjuvantes, as construções cenográficas (se bem que não dá par saber ao certo onde entram tijolos, e onde, softwares), o evidente trabalho de reconstituição de época, tudo junto, que completa o processo que atrai e enche os olhos daquele público que vai ao cinema para diversão pura e simples, é “honrosamente” perceptível a cada quadro grado pela projeção.

Que Marcus Nispel, o diretor, até havia se saído bem num modelo um tanto diverso (se bem que ávido pelo mesmo modelo de espectador) desse, que é o dos filmes de terror, ou meio demente (no sentido do maluco que tenta tudo de horrível), com “Massacre da Serra Elétrica” ou gênese “Sexta-Feira 13”, também parece ser ponto comum em aprovação.

Mas, falar de público alvo a ser buscado e de espectador que vê o cinema como diversão pura, jamais deveria significar tratar tais clientes como débeis mentais sem noção mínima de que essa arte exige, minimamente, ritmo que se alterne, por vezes (nos modelos citados) e com certa constância, para que se tenha em tela narrativa atraente, e fluxo que permita as variações que adensam e acalmam a adrenalina, ou outros sentimentos/químicas mais de ordem emocional. Um dos aspectos mais chatos nessa aventura é justamente passar a impressão (na realidade acontece, mesmo) de que há a necessidade constante da aceleração das partes, para que não haja brecha ou “possibilidades” de escape que permita o observador perceber que se está enrolando mesmo, sob camuflagens possibilitadas pelo uso do excesso de dinheiro.

Tratar um ser que vem da literatura pulp, bem “chupado” ao melhor estilo de alguém oriundo da mitologia (e as mitologias – sejam da origem que for – são campo bastante fértil para se notar um amontoado de seres estranhos tentando se revelar como os bonzões para o humano), e que teve sua personalidade sendo percebida como ideal para virar mais um dos entes da Marvel, deveria render um filme que tivesse algo de humor (satírico, canhestro, suave...) caminhando em paralelo com as densidades normais que costumam constituir boa parte dos problemas motivadores de seus modos de ser. Pois bem, além do rimo em controle remoto adotado, a produção revelou-se muito “severa” para com esse Conan, excluindo qualquer possibilidade de humor para faiscar-lhe os atos. Esse personagem cimério (que se sente na obrigação de vingar o pai morto e a aldeia destroçada, atravessando o continente da Hyboria, para tal) representado pelo fortão Jason Momoa é um apanhado constituído de músculos, e músculos e, músculos... Que chatice.

E o pior de tudo é que essa falta de humor – que poderia parecer mau procedimento sobre terreno em que não sabe andar – leva todo o jeito de coadunar com uma ideia captável de que tudo que se passa na trama deve parecer sério mesmo: o filme, diretor e produtores se levam a sério demais, em algo que mereceria (ganhando demais com isso) um tantinho que fosse de malemolência. Temos então um filme caro e ostensivo no mostrar isso, de andamento jumental (sempre em frente sem ninguém que consiga brecá-lo para olhar a paisagem, por exemplo), e que se entende como divulgador de alguma filosofia imprescindível para as pessoas que sejam corretas. A única tentativa de fuga de todo esse pacote quadrado, são dois momentos em que se propicia livre trânsito de seios femininos (algo bastante incomum nesses filmes da grande indústria ianque): será que o diretor estava “amordaçado” por contrato e a única chance de ser aquele interessante dos filmes citados acima resultou nesses dois curtos momentos?

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