FEIRA DAS VAIDADES:


Fonte: [+] [-]
Original: Vanity Fair
País: EUA/Reino Unido
Direção: Mira Nair
Elenco: Resee Witherspoon, Gabriel Byrne e Jonathan Rhys Meyeers.
Duração: 137 min.
Estréia: 13/01/2006
Ano: 2004


Uma adaptação não muito inspirada de um livro de Thackeray


Autor: Cesar Zamberlan

“Feira das Vaidades” (Vanity Fair) chega aos cinemas brasileiros carregando nas costas uma série de críticas negativas e uma série de turbulências ocorridas durante toda a etapa de preparação do filme, principalmente na elaboração do roteiro. Dois dos roteiristas pediram para que seus nomes fossem tirados dos créditos do filme.

Adoraria entrar neste mérito e ver o quanto o filme corresponde à obra homônima de William Makepeace Thackeray da qual foi baseado, mesmo fazendo parte do time que acredita que o filme adaptado de um livro tem vida própria e não precisa necessariamente ser fiel ao livro, no entanto, como não li o livro que tem uma única edição brasileira, da Civilização Brasileira, esgotada a década e disputada a tapas em sebos, não entrarei nessa questão.

Mas, independente da briga entre roteiristas e diretora e produtores do filme, o universo de Thackeray, com uma dose maior ou menor de fidelidade ao livro, está lá, ou seja, um retrato cruel da sociedade inglesa do século XIX, aristocrata, fechada em si mesmo, vivendo em função de títulos nobiliárquicos e disputando também a tapas bons casamentos e alguns momentos de “brilhação”.

Sociedade não muito diferente da brasileira no mesmo período, não por coincidência há tantos pontos de contatos entre a obra de Thackeray e a de Machado de Assis. Machado, aliás, citava o inglês como sua referência e algumas heroínas machadianas da sua primeira fase, dita romântica, até lembram, por semelhança ou oposição, a Rebecca Sharp de Thackeray. Lembram, pois, a única forma de ascensão social possível a mulheres que não vem da nobreza é o casamento e ainda assim estas sofreram toda sorte de humilhação para galgar seu lugar ao sol, tendo em muitos casos um destino trágico.

Mas, fiel ou não ao conteúdo do livro, ele gera certa decepção, pois se o material é riquíssimo, a forma como ele é contado é a mais tradicional possível, quase uma novela. Mira Nair, indiana de origem, internacionalizada depois do seu pixote indiano “Salaam Bombay” e diretora de “Kama Sutra” e sucessos como “Casamento à indiana”, não ousa em momento algum e parece dirigir protocolarmente, de maneira quase impessoal, meio que no piloto automático. Os únicos momentos de maior energia são quando ela trabalha naquilo que é excêntrico a história, ou seja, os pontos de contato da história com a Índia, terra de origem da diretora, e a época do filme, colônia inglesa. O elenco também parece contaminado por essa correção exagerada na condução da história e traz nomes famosos como Bob Hoskin, Gabriel Byrne e Reese Witherspoon que faz o papel de Rebecca e que foi premiada com o Globo de Ouro por seu trabalho em “Johnny e June”.

Terminado o filme, fiquei com uma vontade ainda maior de conhecer o livro, pelo menos para isso ele serviu.

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