IMPULSIVIDADE:


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Original: Thumbsucker
País: EUA
Direção: Mike Mills
Elenco: : Keanu Reeves, Vincent D'Onofrio e Lou Taylor Pucci.
Duração: 96 min.
Estréia: 13/01/2005
Ano: 2005


"Impulsividade": o que é ser normal?


Autor: Cesar Zamberlan

A sociedade norte-americana e mais precisamente o seu núcleo familiar têm sido retratado em vários filmes de diretores independentes, mostrando, quase sempre, quão desestruturada é essa célula familiar e quão rebeldes e perdidos são os jovens originados desse casamento.

O pior exemplo nesse sentido são os filmes de Todd Solondz e de Larry Clark, pós “Kids”, nestes não há salvação alguma, nenhuma possibilidade de redenção ou recuperação, só o desprezo de e por seres tão abjetos.

Numa linha contrária à Solondz e Clark, temos “Impulsividade” de Mark Mills, em cartaz nos cinemas de São Paulo. O filme é também centrado no núcleo familiar, pessoas de classe média com aspirações menores, tentando apenas sobreviver e criar seus filhos na medida do possível e no limite estreito da “normalidade”. Mas o que é ser normal numa sociedade como a norte-americana? Eis a questão do filme, eis o drama da família e de Justin, o adolescente que é o personagem principal de “Impulsividade”.

O título em inglês da a pista do “problema” de Justin, ele é um Thumbsucker”, ele chupa compulsivamente o dedo, principalmente quando se vê à frente de algum desafio ou situação embaraçosa. Tal atitude cria um grande problema para ele, para a sua família e para o seu ortodontista. Todos à sua maneira tentam resolver o problema do garoto, sugerindo métodos e atitudes que mais revelam a fauna em torno dele, Justin, do que ajudando a solução do “problema”.

"Impulsividade" não aborda apenas a questão de aceitação numa sociedade que pune os “loosers”, as dificuldades de relacionamento no seio familiar, o filme mostra – uso a fala de dois personagens - seres sempre amedrontados diante da vida e em busca de possíveis respostas, saídas, mesmo sabendo que essas respostas não existem. Pessoas estranhas, anormais para os "padrões", mas humanas do fio de cabelo a unha do pé.

E é essa humanidade, essa preciosa construção dos personagens que torna “Impulsividade” num filme tão especial e tão diferente de outros que tratam de uma temática similar, caso dos filmes de Solondz e Clark, como já foi dito e até de “A Lula e a Baleia”, o filme independente queridinho da crítica que entra em cartaz em breve.

Mike Mills egresso do mundo da propaganda e dos videocilpes estréia com o pé direito no cinema, consegue criar uma empatia entre personagens e espectadores sem, em momento algum, cair no maniqueísmo e na caricatura tão comuns ao tema, mais que isso mostra personalidade e estilo numa narrativa leve e ágil sem ficar preso à linguagem da propaganda ou dos clipes - pelo filme seria impossível dizer que é essa a sua formação. Outra grande qualidade do filme está no elenco: Lou Taylor Pucci que faz Justin é uma revelação e Vicente D´Onofrio, Tilda Swinton e Keenu Reeves estão perfeitos no papel do pai, da mãe e do ortodentista. Este último, um personagem curioso do filme, mas que revela muito do universo retratado.

“Impulsividade” é aquele tipo de filme que faz você sair mais leve do cinema, mas que não apela ao melodrama e ao sentimentalismo barato para isso, é sensível e respeita a inteligência do espectador, coisa rara hoje em dia.
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