A MARCHA DOS PINGÜINS:


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Original: La Marche de l´Empereur
País: França
Direção: Luc Jaquet
Elenco: Documentário
Duração: 85 min.
Estréia: 13/01/2006
Ano: 2005


A Marcha dos Pingüins" - várias marchas por uma criaturinha cinza


Autor: Cid Nader

Leio, às vezes, que Hollywood reclama a falta de bons roteiristas, aludindo a essa carência fracassos cada vez mais constantes e diminuindo na coragem em investir somas mais polpudas em projetos de retorno não tão certo. Penso então: "esses figurões não assistem aos programas dos canais científicos da televisão - National Geographic, Discoverys variados, Animal Planet - reduto de grandes contadores e inventores de histórias; roteiristas".

Quando vejo programas de tais segmentos investigativos - os que se dedicam a decifrar o viver dos animais, os de aspecto arqueológico, histórico ou religioso - comento, em tom de brincadeira, que 90% das conclusões e resultados que nos são apresentados por esses cientistas um tanto mais exibidos, não passam de uma estupenda demonstração de imaginação vertiginosa, que dificilmente poderiam ser contestadas por nós, simples leigos.

Vão lá, filmam, editam, investigam, voltam e filmam novamente, estudam e discutem o assunto pertinente entre si e, quando menos esperamos, nos pegamos boquiabertos e embasbacados ante a complexidade das imagens e os textos indubitavelmente indiscutíveis que as ordenam. Você vai contestar?

O cinema - não os figurões desesperançados que citei no início da explanação - descobriu tal filão e, tímida e esporadicamente o explora, mas fora da vertente ficcional o tematiza sob a denominação de documentário.

Aí surge Luc Jacquet - documentarista, operador de câmera e diretor de fotografia - conhecido por seus trabalhos sobre a natureza e a vida selvagem, apresenta-nos "A Marcha dos Pingüins" e revira a lógica documental quando insere nessa sua obra um fio condutor ficcional, assumindo - como sempre imaginei -, descaradamente, o papel do cientista bom de papo; um grande contador de histórias.

Não há como escaparmos ilesos da enxurrada de imagens geladas - melhor dizendo, congeladas - que toma conta da tela desde o primeiro instante da projeção, que continuam brancas, mesmo com o avanço do verão, e que nos imputam medo, temor e respeito no recrudescer do violento inverno.

Mas mais espantoso ainda é constatar que tamanha exposição do poder da natureza não se faz sobre campos desérticos de vida, muito ao contrário. Hordas de pingüins imperadores, com seu andar gingado e eretíssimo - na água são verdadeiros mísseis -, desafiam tais dificuldades e marcham em busca de um destino já previamente escrito; pela preservação da espécie. Saem de vários buracos - uma tomada genial - ao mesmo tempo e por todo o Pólo Sul, caminham por 20 dias até reunirem-se, aos milhares, num mesmo campo, para a conquista, procriação e tenaz batalha em defesa da nova vida que dará continuidade à sua existência. Ritual que se repete há séculos, caracterizando uma verdadeira odisséia - ou epopéia, como queira -, com momentos de troca de função, de longas marchas de ida e de volta, de fome e impossibilidades ante os predadores.

Jacquet é muito feliz na montagem da história, abusando na quantidade de imagens capturadas e a nós repassadas, e ousando ao assumir seu lado "artístico", quando cria uma narração que dá o tal tom ficcional que citei anteriormente - no início pode soar estranho, mas é bem legal. Há falas que beiram o filosófico.

Ouvi discussões a respeito da música que pontua o filme, entoada por Émilie Simon - com uma voz e andamento que poderiam caracterizá-la como uma sub-Byork. Avalie.

P.S.: a narração original em francês é muito bem feita, mas a "promessa" é de quase totalidade de cópias dubladas em nossas salas. Só torcendo e esperando para ver/ouvir
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