TUDO EM FAMÍLIA:


Fonte: [+] [-]
Original: The Family Stone
País: EUA
Direção: Thomas Bezucha
Elenco: Diane Keaton, Sarah Jessica Parker e Craig T. Nelson.
Duração: 102 min.
Estréia: 13/01/2006
Ano: 2005


"Tudo em Família" - fora de época e de tom


Autor: Cid Nader

Se há um filme que tem tudo para dar errado no mercado brasileiro por conta da estratégia mal pensada quanto ao momento certo para seu lançamento, as apostas podem ser depositadas em "Tudo em Família", típico produto natalino e que estréia somente agora - janeiro - por aqui, algumas semanas após os festejos noelinos.

É uma película que se passa exclusivamente nos dias de Natal, que tem como história a reunião familiar com o propósito de comemorar a festa, numa casa toda enfeitada com motivos natalinos, situada na região de New England e cercada de neve por todos os lados. Dentro da casa se assiste a velhos filmes ligados ao tema e distribuem-se presentes.

Portanto, qual teria sido a idéia dos distribuidores brasileiros que não aproveitaram o momento mais propício, num mercado que não teve um só filme mais especificamente ligado ao tema exibido nas telonas.

Até porque, "Tudo em Família" não se sustenta sobre as próprias pernas. Não é um bom filme. O diretor, Thomas Bezucha, criou uma família exageradamente interessante. Os pais, Sybil (Diane Keaton) e Kelly Stone (Craig T. Nelson), recebem os filhos - todos já adultos e criados - apresentando-se-nos como modelos virtuosos de liberalismo e compreensão. Só que falham na tentativa de acolher junto ao seio da família - unida e criada e sob o manto do melhor humanismo desejável - uma futura nora, Meredith Morton (Sarah Jessica Parker, completamente diferente e estranha aos preceitos vigentes entre os Stones. Meredith é uma capitalista contumaz, que só pensa nos negócios, nas roupinhas bem desenhadas, caretas e de grife; uma típica novaiorquina.

Soa esquemática tal simplificação para descrever uma pessoa? Pois é, esse é só um exemplo do que ocorre por todo o transcorrer da trama. E incomoda bastante. A construção dos personagens é esquemática e se não fosse assim teríamos grandes tipos, com certeza. É um problema de setores - inclusive na cultura - da sociedade norte-americana. E para piorar um pouquinho mais, o diretor "aditiva" esse esquematismo com o repugnante "politicamente correto".

Os pais da família Stone abraçam e beijam os filhos - coisa não muito comum lá por cima. Os irmãos também se abraçam e se beijam e têm uma compreensão de vida que seria a desejada para qualquer um. Só que não passam fé, isto é, são mal nascidos no papel.

Mais um exemplo: não é necessário criar um personagem - no caso um dos filhos - surdo e homossexual, que tem como companheiro fixo - sempre bem recebido pela família liberal - um negro. Só faltou ser também gordo, baixo e judeu, para completar o pacote: esquematismo/politicamente correto.

Se você for mais cuca fresca, menos encrencado, alugue-o no próximo Natal.
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