Oceanos:


Fonte: [+] [-]
Original: Océans
País: França
Direção: Jacques Cluzaud, Jacques Perrin
Elenco: Documentário.
Duração: 104 min.
Estréia: 17/12/2010
Ano: 2009


Para se curtir as imagens.


Autor: Cid Nader

Na época em que “Microcosmos” estreou nos cinemas, um espetacular mundo macro abismou olhos e mentes que até já estavam acostumados a ver trabalhos bem impactantes realizados sob captações atentíssimas e caprichadas por programas televisivos de redes dedicadas a mostrar a natureza não humana, aos humanos: mesmo não virgens no capítulo surpresas imagéticas de bichinhos e afins, as pessoas embasbacaram ante situações que pareceram novidades, num mundo já razoavelmente decifrado. Com razão, diga-se de passagem. Como foram obtidas tais imagens? Como os insetos e companheirinhos podiam agir daquela maneira sem que quase nenhum mortal jamais tivesse imaginado tal complexidade?

Anos após, vindo da França, também, surgiu “Migração Alada”, e o estupor inimaginável possível ainda já no documentário das coisas minis, voltou a tomar de assalto incrédulos espectadores que tiveram a oportunidade e a sorte de ver imagens voadoras, transposições continentais, olhos e “suores” de aves quase que a ponto de poderem ser sentidos fisicamente. Se perguntava por quais modos as lentes conseguiram acompanhar travessias, atos comuns cotidianos ou de matiz heróica, voares, de forma tão próxima, sem que nenhum efeito computadorizado tivesse sido utilizado para tal (promessa dos vendedores nos créditos do trabalho – promessa verdadeira)? Questionava-se sobre tempo de trabalho, conhecimento dos atos dos alados, enquanto admirava-se a capacidade de tornar novo um meio bastante vasculhado por outras mídias, já há décadas e com investimentos potentes.

Bem, co-dirigido por Jacques Cluzaud e Jacques Perrin (os dois também em “Migração”, e Perrin em “Microcosmos”), parece que anda tomando as atenções das crianças e dos adultos com desejos sonhadores (ainda bem que ainda existem) por onde já foi exibido esse (mais um) espetacular trabalho de impacto visual que é Oceanos. Tão óbvio que existe uma intenção de vasculhamento dos recantos terrestres não comuns aos seres humanos por essa dupla – juntamente com entidades internacionais de proteção à natureza -, torna-se claro que há a intenção por trás desses trabalhos de assombramento dos que ficam imaginando como puderam ser captadas imagens tão fantasticamente impressionantes, novamente, agora num mundo bem menos reconhecido pelos nossos sentidos que é esse marzão de profundezas mais desconhecidas do que muitos planetas. Não dá para negar o tal prazer infantil que invade os desarmados e menos desconfiados (aos mais “puros”) ante o trabalho, novamente: as cenas editadas, após uma longuíssima empreitada que demandou quatro anos, muitas câmeras, muita tecnologia, muito estudo científico de rotas e necessidades dos “seres perseguidos” (com direito a lentes embutidas em seus corpos, também) , muita tecnologia empregada.

Não dá para não ficar impressionado com as imagens do oceano poderoso filmado de cima, com a qualidade de execução que imprime sensação de potência e grandeza maiores ainda do que o natural, por conta da maneira e angulação das imagens, pela imposição da trilha sonora quase o tempo orquestrada. Causa impacto e empatia, também, ver seres grandiosos que por razões diversas remexem sentimentos interiores (as enormes baleias ou os “familiares” golfinhos); tanto quanto causa impacto e estranheza aquele quinhão enorme de desconhecimento das profundezas retratados por imagens claríssima, límpidas e desvendadoras de seres que parecem saídos dos estúdios mais imaginativos quando pensam em coisas do outro mundo para nos assustar. Alguns momentos em especial são embasbacantes e revelam a qualidade do filmado e do editado: só como um exemplo, o mergulho das aves em busca dos peixes em cardumes atraentes, mas mostrado, no filme, de forma muito mais possante e grandiosa do que o que já nos foi apresentado em outras ocasiões, momento que segue e revela a não possibilidade de fuga quando entram na captura desses peixes, tubarões vindo de baixo, golfinhos transpassando os cardumes como flechas e baleias de bocarras abertas.

Para os não puros, para os desconfiados, porém, o documentário, tanto quanto os dois anteriores citados, carregam uma necessidade narrativa literária que poderia ser dispensada: por conta da “necessidade” de ser inciada a jornada por um processo infantil questionador (como que querendo vincar a já intrínseca manifestação infantil que nos impele a gostar de tais filmes), ou como que para nos fazer ver que o olhar dos diretores e das entidades que os patrocinam carregam em seu bojo as únicas verdades a serem consideradas quando se fala de sobrevivência da Terra, e dos seus: um discurso que pode enfraquecer a magia do que nos é revelado sem o texto. Fiquemos, portanto, sugiro, com o espírito desarmado e curtamos bastante: assim, teremos uma papa finíssima para degustar.

Leia também: