Machete:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA
Direção: Ethan Maniquis/Robert Rodriguez
Elenco: Danny Trejo, Robert De Niro, Jessica Alba.
Duração: 108 min.
Estréia: 10/12/2010
Ano: 2010


Se é de sangue e gostosas que falamos...


Autor: Cid Nader

Robert Rodriguez continua firme na tentativa da formação de sua carreira autoral, matizada por sangue e abastecida literariamente por cultura pop (da mais pop mesmo) na veia. Retoma seus personagens, imagina um monte de mulheres boazudas para ornamentar visualmente a telona, que, como sempre, já vinha bastante poluída por um desfilar de tipos machos bastante escrotos (como símbolos iconográficos da “idealização” sectária do perfil estético dos habitantes emigrantes mexicanos que pulam a cerca rumo aos EUA), uns nacos de carne humana aqui e acolá, jorros do sangue citado lá no início e muita feiúra na paisagem “natural”.

Esse é o cinema dele, desde o início de sua carreira como realizador (bem jovem, com o “filme mais barato do mundo”), sem querer que outras situações passassem a tomar lugar de importância maior do que falar de tipos humanos dos sub-mundos, encenando sob som de músicas que buscaram sempre ser a compreensão dos modelos pops buscados (que sempre transitam entre o brega complexo e o moderninho mais Cult), ou sem querer abandonar referências artísticas que conseguiram fazer pensar melhor na importância da aglutinação de informação, num mundo cada vez mais veloz e propenso a “engolir” outras culturas, “cânones baixos”.

Nessa busca bastante profícua, um amontoado de equívocos surgiu (como que para comprovar que falar de “sub-artes” requer tanto carinho quanto qualquer outra busca, e que elas têm em si capacidade e qualidade a mais do que se pensaria se o olhar fosse dirigido a elas somente com ranzinzice ou preconceito), e dúvidas sobre a boa novidade que ele ameaçava representar passaram a ganhar força e razão.

Mas a vida é assim mesmo (circular, como diria o clichê: uma montanha russa) e agora ele acertou uma boa tentativa. Machete é ligeiro, sangrento, sexual (filme machista mesmo, assumidamente, sem medo de retaliações dos “corretos” e chatos de plantão), com muita luta e explosões, notadas simbologias costurando os momentos (simbologias de seu povo e das culturas paralelas que tanto preza) e grandes momentos para se dar boas risadas. E há uma diferença essencial entre o muito sangue que jorra no filme e o bocado que tenho visto jorrando em outros trabalhos da atualidade: aqui,ele não quer representar-se verdadeiro, nauseante ou representação da vingança da lei (é plástico, como plástica é a arte que desenvolve e a que abastece sua obra).

P.S.: ah, o filme é co-dirigido por Ethan Maniquis (?).

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