Meu Mundo em Perigo:


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Original: Idem
País: Brasil
Direção: José Eduardo Belmonte
Elenco: Eucir de Souza, Rosanne Mulholland, Milhem Cortaz, Ziza Brizola, Wolney de Assis.
Duração: 90 min.
Estréia: 10/12/2010
Ano: 2007


Projeto extremamente pessoal


Autor: Marcelo Miranda

Em seu terceiro longa, o cineasta mantém foco na questão familiar, acreditando na pura sensorialidade do espectador em captar o que suas imagens tentam transmitir. A paternidade é o maior dos temas de "Meu Mundo em Perigo", seja pelo desespero de Elias (Eucir de Souza), pai que perde a guarda do filho pequeno para a ex-mulher, ou Fito, desempregado (Milhem Cortaz) que se desespera com o atropelamento do pai, ou, por fim, a jovem Ísis (Rosane Mulholland), que se isola do mundo e apenas guarda lembranças do pai. São todos fios tênues de relações destroçadas que vão se amarrar num mesmo mosaico fadado à tragédia.

É claramente um projeto extremamente pessoal para José Eduardo Belmonte. Afoito por fazer um novo filme após "A Concepção", decidiu pegar a câmera, juntar parceiros para a empreitada e filmar com eles essa história intimista, embalada por cânticos de candomblé e de grande profundidade naquilo que não revela e não se abre dentro da tela – mas cuja força está lá, impressa na linguagem solta da câmera de Belmonte, no olhar dos personagens uns aos outros, na incomunicabilidade que, a certa altura, instala-se na narrativa e na inevitabilidade de acontecimentos que o filme parece a todo instante negar.

O efeito é estranho em quem assiste: se por um lado "Meu Mundo em Perigo" apresenta uma trajetória determinada para o protagonista, o que em alguns filmes soa como sadismo por parte do realizador para com o sofrimento dos personagens (vide "Contra Todos", de Roberto Moreira, e "Amarelo Manga", de Cláudio Assis, que parecem se esbaldar com os horrores expostos na tela), no filme de Belmonte tal impressão inexiste pelo simples carinho com que ele registra cada ser humano em cena. Se o destino de Elias não tem como ser diferente, porque desde o princípio já se instala a sensação de tragédia, Belmonte, como narrador, parece não aceitar por si mesmo os rumos da própria história. Efeito tipicamente cinematográfico, esse de permitir uma leitura dentro do filme diferente daquela que está fora do filme.

P.S.: texto de 2007

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