Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1:


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Original: Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I
País: Reino Unido/EUA
Direção: David Yates
Elenco: Emma Watson, Daniel Radcliffe e Helena Bonham Carter.
Duração: 147 min.
Estréia: 19/11/2010
Ano: 2010


A relatividade do tempo (das horas e dos minutos)


Autor: Gabriel Carneiro

Harry Potter corre perigo. Voldemort quer porque quer matá-lo, afinal o garoto é a única coisa que pode impedi-lo de triunfar em sua cruzada ariana – quer exterminar todos os trouxas, aqueles humanos sem poderes sobrenaturais. Após a morte de Dumbledore, no sexto filme, Hogwarts deixou de ser um lugar seguro e foi tomada pelos Comensais da Morte, assim como o ministério. O mal está triunfando – mas Harry e seus amigos Hermione e Rony, além de toda uma sorte de classe feiticeira contrária aos abusos daquele cujo nome não se deve pronunciar, devem evitar isso, a qualquer custo. É com essa premissa que aporta nos cinema a mais nova aventura do garoto bruxo, o sétimo filme da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 – a segunda chega em 2011: mais dinheiro no caixa.

É inevitável que quem goste dos filmes da série vá gostar dessa nova produção dirigida por David Yates, ainda mais considerando que o longa é um dos melhores: bem amarrado, sem pontas soltas ou algo muito comprometedor – mesmo que, vá lá, tenha sua cota de cenas por demais bregas. É o filme que mais se aprofunda em seus personagens, especialmente no núcleo central, formado por Harry, Rony e Hermione, que são praticamente abandonados ao deus-dará com a perseguição massiva dos opositores. É tempo para se conhecerem e para refletirem sobre a realidade do momento – assim como os protagonistas, o longa ganha também um contorno adulto, que lhe cai bem.

A primeira parte se dá mais tempo para a introspecção, para se aprofundar nas memórias juvenis, na consciência do devir e no encantamento da natureza – do natural, por assim dizer. A ação desenfreada, prometem os produtores, deverá vir no segundo filme das Relíquias da Morte. É capaz que esse sétimo longa venha a agradar mais aos “pottermaníacos”, leitores assíduos dos livros e adoradores da trupe – o que, confesso, não é o caso desse redator, que até tentou ler um dos romances, mas não passou da página 20, enfadado -, justamente por ter esse tempo extra das minúcias, dos detalhes, com a divisão em dois filmes. As reclamações recorrentes – de todas as adaptações, diga-se – de que os filmes não transmitiam a completude do livro podem ser, talvez, finalmente, redimidas – isso sem entrar nos méritos de diferentes linguagens, o que, para o grande público, infelizmente, pouca diferença faz; ainda vivemos num mundo de adaptações a la David O. Selznick.

Para quem não tem esse apreço pela saga do jovem bruxo, talvez veja o longa como mais um produto da série – mesmo que tenha mais qualidades do que a média. As pessoas clamam por mais tempo, por mais detalhes. O problema da saga parece ser justamente o excesso de tempo. Melhor edição e mais cortes poderiam fazer bem. Nesse Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 vão-se 146 minutos, quase duas horas e meia, para uma narrativa que não comporta tanto – muita coisa poderia ter sido deixada na sala de edição -, para não estafar e entediar o espectador mais crítico, que não é, necessariamente, “pottermaníaco”. Esse parece ser o grande problema do longa e o que, provavelmente, menos será notado.

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