As Cartas Psicografadas de Chico Xavier:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Cristiana Grumbach
Elenco: Documentário.
Duração: 87 min.
Estréia: 12/11/2010
Ano: 2010


Quando o vi, não gostei.


Autor: Cid Nader

Em momento de modismos espíritas no cinema tupiniquim, surge esse documentário, iniciado no ano de 2007, e que parece não ter se beneficiado pelo tempo longevo do qual dispôs antes devir a público. A diretora Cristiana Grumbach foi atrás de pais e mães que perderam filhos e que, não se conformando – aliás, talvez a situação mais antinatural a ser encarada essa da perda de um rebento – com tal destino, buscaram no espiritismo de Chico Xavier a solução apaziguadora mais facilmente e ligeira que se poderia tentar.

Para tal, entrevistou uma quantidade razoável de pessoas que sofreram tais perdas, nos seus lares, pedindo que relatassem o momento em que foram “abençoados” com o atendimento de Chico. O que fica nítido no trabalho é que tal situação foi sempre a que possibilitou a oportunidade e o desejo de continuar a vida para esses pais extremante amargurados. Tal desnudamento de seus sofrimentos ante as lentes da diretora careceu de rigor no tratamento, naufragando na displicência e no comodismo da montagem. O que resultou foi um filme longo, repetitivo, que poderia ter se resumido a uma leitura de carta e uma explanação de pais – já que continham o mesmo contexto e o mesmo modo de enfoque. Pareceu um longa curta-metragem, de onde se percebeu somente que os textos de Chico são provenientes sempre do mesmo estio literário, que se repetem em forma e modos literatos; de onde restou uma repetição exaustiva dos enquadramentos nos entrevistados e da encenação dos objetos físicos dos lares após o término das descrições.

Pareceu um longo curta-metragem, pela repetição do mesmo, e do mesmo, além do tom “falsamente” monocórdio – mas sempre presente numa diretora que “fingia” não querer aparecer no trabalho – nas intervenções de Cristina (uma “aluna” e colaboradora de Eduardo Coutinho) . Além de ter desperdiçado uma ótima oportunidade de tentar entender o sofrimento humano que se percebe devastador nas feições dos pais que se diziam aliviados, mas que exalavam sofrimento contido, armazenado.

P.S.: texto feito na ocasião em que vi o filme (no mês de julho de 2010), durante o "Festival de Paulínia".
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Agora, corro o risco e digo que gostei.