Scott Pilgrim Contra o Mundo:


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Original: Scott Pilgrim vs. the World
País: EUA/Reino Unido/Canadá
Direção: Edgar Wright
Elenco: Michael Cera, Alison Pill e Mark Webber.
Duração: 112 min.
Estréia: 05/11/2010
Ano: 2010


Orgulho nerd


Autor: Gabriel Carneiro

Os últimos dez anos foram incrivelmente bons para os nerds. Passaram a ser menos ridicularizados, aumentaram em número, ganharam respeito e apreço pop. Se nos anos 1980, esse singular grupo de pessoas se viu representado com classe em filmes como “A Vingança dos Nerds” (1984), só nos anos 2000 é que puderam se libertar genericamente das amarras do bullying e do menosprezo – porque se ainda sofrem preconceito, são também muito mais aceitos pela sociedade juvenil e cruel. Talvez um dos principais responsáveis desse reconhecimento seja a dupla Paul Figgs e Judd Apatow, com a série televisiva “Freaks & Geeks”. O programa foi um fracasso de audiência, sendo cancelado logo na primeira temporada, com 18 episódios. Ainda assim, influenciou muita gente com suas enormes qualidades.

Eventualmente, Figgs e Apatow foram para o cinema e estouraram com “O Virgem de 40 Anos” e vários outros longas. A década também viu uma série que não tinha nada para ser mais do que ordinária – “The Big Bang Theory” – sair da obscuridade e liderar audiências nos EUA. Vale ressaltar que “The Big Band Theory” versa sobre quatro nerds superinteligentes e suas idiossincrasias perante o que se julga a sociedade comum. Pois bem, toda essa embromação é para dizer que “Scott Pilgrim contra o Mundo” chegou para ser o ícone da juventude nerd, aglomerando todas as influências que transformaram o nerd no cool dos anos 2000.

Infelizmente, a adaptação dos quadrinhos de Bryan Lee O’Malley não foi capaz de despertar um grande interesse nos cinemas – com orçamento de US$ 60 milhões, o longa fez pouco mais da metade nos EUA e até agora não se pagou. Ainda assim, é inegável o status cult que virá a ter nos próximos anos – isso, se já não tiver. O filme de Edgar Wright é tudo que o mundo nerd poderia esperar: uma perfeita combinação de quadrinhos, videogame – com direito a grafismos da estética dos jogos -, rock indie, universo fantástico e outros.

No longa, Scott Pilgrim é mais um loser do Canadá, desempregado e baixista de uma banda que ninguém conhece, os Sex Bob-Ombs. Até que se apaixona pela estranha e enigmática Ramona Flowers, uma bela garota de cabelos rosa. Mas, para conquistá-la, terá primeiro de derrotar os 7 Ex-namorados do Mal, que formaram uma liga, liderada pelo sétimo namorado, Gideon, para impedir a união dos dois.

Se a trama parece apetecer apenas aqueles que já se imaginam nessa cruzada absurda, as ótimas tiradas – desconstruindo brilhantemente clichês – e outras brincadeiras e referências à cultura pop podem encantar um outro público. Vale ressaltar que o nerdismo não passa de uma adoração pela pluralidade da cultura pop. O que “Scott Pilgrim Contra o Mundo” faz magistralmente é conectar, através do suporte audiovisual, diversas linguagens, com muito bom humor e perspicácia. As onomatopéias dos conflitos, as mortes que se transformam em moedas e a pontuação alcançada por Scott é apenas mais uma maneira de alertar à globalização das práticas daqueles que se querem diferentes do senso comum. Scott Pilgrim é uma ode a essa realidade.

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