Jogos Mortais 3D - O Final:


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Original: Saw VII
País: EUA
Direção: Kevin Greutert
Elenco: Tobin Bell, Shauna MacDonald, Cary Elwes.
Duração: 90 min.
Estréia: 05/11/2010
Ano: 2010


O interior humano...


Autor: Cid Nader

Em época de sangue nas telonas jorrando de forma cascateante, essa nova empreitada da “saga” escarnificadora, denominada por Jogos Mortais 3D – O Final, parece surgir como a realização suprema, o desejo de ser igual, filme a ser copiado e invejado: dignificado. Portanto: uma porcaria totalmente descartável – mesmo para aqueles espectadores estranhos, que nutrem um sinistro prazer por corpos destroçados, destroçando, a serem destroçados; por vísceras e tocos de ossos; por viscosidades oculares jorrando pata fora de suas órbitas naturais; pelas entranhas do ser humano sendo arrancadas na marra, rumo à luz.

Não vi os outros filmes da série – acho que vi um sim, mas não farei esforço tremendo para lembrar de diferenças conceituais entre propostas e seus tempos -, mas creio que esse já fale por si só tudo o que se poderia esperar. Essa moda de violência servindo como modelo de atração – em tempos de 3D mais ainda, e com as possibilidades de qualidade das maquiagens, então... - pode ser compreendida em alguns setores do comportamento humano por vieses que variam entre a compreensão da finitude e nossa condição junto ao todo biológico (como somente mais uma peça dele, somente entranhas e sangue), ou as observações de caráter religioso/teosófico, pelo prazer sádico (afinal de contas, sadismo e outras cositas similares fazem parte da nossa formação genética desde os primórdios do homem engrenando os princípios do pensamento lógico), talvez até pelo prazer de imaginar como se comportam ao olhar texturas e nuances estéticas que não seriam de bom tom, se tentadas dentro de tentativas reais.

Aqui, Kevin Greutert dirigiu um trabalho que se vale mesmo desse gosto estranho – impondo a enormidade de agressões que poluem o filme do começo ao fim – para ganhar espaço, mas que tem embutido (e aí digo que “fala por si só”) um discurso reacionário moralista que não deveria fugir dos quesitos disponíveis na hora da avaliação. Sob a pecha de justiceiro moral, o insano personagem principal arroga possibilidades divinas e poder sobre vidas e destinos, desde que os “escolhidos” tenham ultrapassado algum tipo de obstáculo social, julgando-os e executando-os: primarismo do primarismo, embalado por camadas de pensamento bárbaro, bastante anti-iluminista, mais próximo das trevas da ignorância do que da luz imaginada como um dom por “setores ocidentais” que se possibilitam o papel de julgadores.

Para toda questão de violência aos olhos arma-se uma “razão” moral (mesmo que invocada e transformada em punição por alguém visto como maluco), e é certo que se comprará muito isso como uma “razão lógica” para os desatinos visuais jorrados no pano. Tenta-se imprimir algum tipo de lógica para que a satisfação horrorosa de alguns ganhe estofo. E isso só piora o pacote de má qualidade, feio e ruim de ser ver. Não imagino pessoas gastando seu dinheirinho em entradas e pipocas e ficando com os olhos abertos a cada setor de corpos desvendados; a cada corte. Pior: se esse alguém que gastou grana para ver o filme “comprar” de quebra a ideia da validade dos trucidamentos pelas razões de afrontamentos ou infringimentos morais, aí sim é que para se ficar preocupado.

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