Atração Perigosa:


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Original: The Town
País: EUA
Direção: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm e Jeremy Renner.
Duração: 125 min.
Estréia: 29/10/2010
Ano: 2010


Vai ser somente diretor.


Autor: Cid Nader

Ben Affleck é o típico caso do ator que não quererá se manter na carreira como sua maior motivação de ser no mundo do cinema. Já se aventurou no mundo da direção antes – com curtas e um seu primeiro longa “O Medo da Verdade” (2007) – mas foi bem recebido mesmo fora dos campos das atuações pelo roteiro de “Gênio Indomável”. Desde então percebe-se que busca alcançar outros patamares de trabalho na arte, e nada mais comum e normal do que aventurar-se novamente como diretor transitando por um mundo a que está costumado como ator: filmes de ação, mas com imaginada razão social latente e indispensável para fazê-los mais críveis.

Em Atração Perigosa toma para si o papel do bandido da história – uma tentativa inegável de descolar a imagem do bom moço de seu cangote, vinda da carreira de ator galã -, e aproveita a deixa para criar um trabalho de aspecto meio denunciador de problemas sociais constantes e (imagina-se) mais comuns do que faria crer a vã crença popular no poder das instituições defensoras: o filme aborda a história de ladrões bem organizados e violentos (daqueles nada pé de chinelo, mais organizados – o que imediatamente remete a pensar em “perigo mais perigoso”) de Boston. Na realidade, sem apelar para similaridades descaradas, atrela o seu modo de existir a algumas facetas de caráter satélite às grandes organizações criminosas, mafiosas (trata daquela sub-espécie que tem que sobreviver sob a chancela de poderosos, para quem trabalham esporadicamente, e com quem, em algum momento, acabarão batendo de frente.

Seu filme – como o modo dele e alguns outros tentarem vender suas imagens de realizadores – acaba colocando a polícia honesta num patamar de ingenuidade e nobreza de espírito (na proporção inversa de sua capacidade bélica e de solucionadora de crimes mais organizados), bastante distante da perspicácia e violência desses bandos menores, acabando por reforçar de forma “midiática”, em contrapartida, a ideia do poder e inteligência e das grandes organizações criminosas. Foca e coloca-se a si mesmo nesse nicho intermediário, aproveitando a situação para engendrar a sempre desejada e sabida questão de algum amor surgindo de forma edulcorada, na contramão das maldades que pululam pelo modelo.

Tem violência, tem assaltos e planejamentos de grande esquadrinhamento pelas lentes (desenhados para imprimir ritmo), tem cenas de bondade surgidas de onde não se imagina, amizade masculina de aspecto forte, inseparável (daquelas surgidas e restadas da tradição dos western), uma paixão inimaginável e aquele senso de traição vigendo em alguns momentos e das mais variadas origens para reforçar o apego ianque às fidelidades. Foge um tanto do padrão de filmes violentos por gratuidade, mas não abdica dessa violência; submete a polícia e as instituições a patamares de “inocência”, e intromete o valor paternal como um dos motivadores de reação. Bom, passa fácil, mas repete algumas das máximas lá de cima: amizade, amor por alguém, e respeito à família.

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