O Solteirão:


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Original: Solitary Man
País: EUA
Direção: Brian Koppelman, David Levien
Elenco: Michael Douglas, Susan Sarandon, Danny DeVito, Mary-Louise Parker.
Duração: 90 min.
Estréia: 22/10/2010
Ano: 2010


Dramas bem delineados.


Autor: Cid Nader

Triste esse filme dirigido por Brian Kopelman e David Levien. Muitas vezes o cinema – acho que é muito mais usual do imaginamos numa primeira pensada – se apodera das questões inevitáveis do caminhar da vida humana em direção à finitude para elaborar histórias que acabam contando situações que atemorizam nosso porvir, tem como mote os mais diversos problemas pessoais: podendo ir das inevitáveis doenças por envelhecimento, às surgidas por azar no percurso, até falando das complicações intelectuais, mentais, que acabam resultando obras que remexem o âmago do espectador, sem que a “facilidade” da doença e da dor física urre nos ouvidos para causar pavor nas salas de cinema (pavor que quase sempre se estende para forra delas – em qualquer modelo de amedrontamento optado par tocar a trama.

Quando se assiste a Michael Douglas fazendo um papel onde o sexo – a possibilidade de uma nova investida “contra” o sexo feminino – é o maior motivo de ser de seu personagem logo pensamos na sua personalidade do cotidiano de verdade, nos problemas que teve como galanteador excessivo, o que gerou uma conclusão científica de que ele era um viciado em sexo. Talvez o papel tenha sido oferecido a ele – ou ele mesmo tenha escolhido para si – por conta disso, mas é muito bom saber que, após constatado todo o filme, do começo ao fim, a protagonização do ex-vendedor de automóveis Ben Kalmen criou um tipo recheado de nuances, e todas elas com características humanas absolutamente plausíveis e de boa configuração na construção.

Boa configuração na construção que não vale muita coisa quando o ator que tem de se encarregar para transformar o ser da telona não dá conta disso, o que não ocorre aqui. Michael, dessa vez – sim, porque ele tem alguns vícios de atuação que não o fazem o ator a ser lembrado, normalmente, por grandes caracterizações, por inesquecíveis personagens -, esteve contido quando se exigiu isso, canastrão quando o momento pedia (melhor: cafajeste no modo de olhar, se interessar e abordar, já nos sessenta anos de bem, por garota bem mais novas do que ele), e receoso na medida correta por conta dos males (físicos e de falta de grana) que o afligirão e motivarão muito das ações a serem concretizadas: quando o médico lhe fala de um mal no coração lá bem no início da película, o escape do olhar do ator, para o vazio, para a dúvida, anuncia que ele viverá um bom momento dessa vez (esse mesmo momento, também é responsável por fazer entender que a direção do filme terá sensibilidade suficiente para executar seu trabalho – pois nesse instante se nota o acerto na edição pela maneira em que ele é intrometido na sequência -, que no decorrer se mostrará sempre seguro e distante das pedras no caminho).

Há um vem e vai do personagem, um entra e sai constante de pessoas na sua vida – algumas esquecidas, mas a maioria, quando se pensa não mais voltando, regressando para concretizar momentos essenciais para o desenvolvimento imaginado -, e uma evidente certeza de que uma das opções era a de não permitir que o ritmo sofresse interrupções que obrigassem a malabarismos nas emendas. Tal atitude, se afasta nossos desejos pela ousadia, se coloca o trabalho num patamar técnico comum, ao menos deixa brecha suficiente para que esses medos humanos (o do envelhecimento, o da não “força” junto ao sexo oposto, o da doença que motiva atos, ou os do que afastam o personagem de quem mais gosta de verdade – filha e neto) fluam pelo caminho e potencializem a trama. Mesmo tratando de tais questões, o filme não é pesado – talvez um pouco comum demais – e passa bem durante o tempo de vida em que é projetado.

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