BROTHERS:


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Original: Brødre
País: Dinamarca
Direção: Susanne Bier
Elenco: Connie Nielsen, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kaas, Sarah Juel Werner, Bent Mejding, Solbjorg Hojfeldt e Niels Olsen.
Duração: 110
Estréia: 16/12/2005
Ano: 2004


Marcas da Violência


Autor: Leonardo Mecchi

Com “Brothers”, a diretora Susanne Bier realiza uma obra rara – um filme de guerra dirigido por uma mulher –, que resulta em um drama intimista e psicológico, e não na habitual exaltação do heroísmo e bravura que acaba de certo modo por enaltecer a guerra.

A história gira em torno de dois irmãos, cada um satisfeito em exercer seu papel: Michael (Ulrich Thomsen) o de bom filho, pai e marido e Jannik (Nikolaj Lie Kaas, conhecido do público brasileiro pelos filmes “Reconstrução” e “Corações Livres”, este último também sob a direção de Susanne Bier) o de ovelha negra, inconseqüente e irresponsável. Tudo muda quando Michael é enviado pelo Exército para o Afeganistão, sofre um acidente em sua missão e é declarado morto. Prontamente Jannik endireita seu caráter e assume responsabilidades para com a esposa e filhas de seu irmão, adquirindo uma intimidade que por vezes enevoa os limites dessa afeição.

Embora contida e delicada ao retratar os conflitos de seus personagens, optando acertadamente por belas imagens e atuações precisas em detrimento dos habituais diálogos explicativos, a diretora peca por não construir um crescendo dramático que justifique o desenvolvimento dos personagens e de suas relações. O filme não concede ao espectador o tempo necessário para simpatizar e se identificar com os personagens e seus dramas, mas apenas acumula rapidamente informações que fazem avançar a história, sem contudo permitir um envolvimento maior do espectador com aquilo que vê na tela.

Acertando o tom no tratamento do tema a que se propôs, que é o do impacto emocional e psicológico da guerra – e da violência e desumanização que lhe é decorrente – não apenas naqueles que a vivenciam, mas em todos os que entram em contato com suas conseqüências (tema semelhante ao do mais recente filme de Cronenberg, todavia muito mais bem realizado e resolvido que este “Brothers”), a diretora parece ter se equivocado na fluidez e na dinâmica desse tratamento, desperdiçando dessa forma boas atuações (premiadas em San Sebastián) e uma história com potencial.
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