Programa Casé - O que a Gente Não Inventa, Não Existe:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: Estevão Ciavatta
Elenco: Documentário.
Duração: 78 min.
Estréia: 03/09/2010
Ano: 2010


Vale: nada a mais do que isso.


Autor: Cid Nader

Estevão Ciavatta foi à origem da construção documental para o cinema com o intuito de revelar a um país ignorante (quando ignorante, digo do não saber de assuntos, ok?) a trajetória de um dos incentivadores e modificadores da trajetória do rádio (iniciando como veículo de comunicação de massa, portanto sem muitas referências de como proceder com a novidade): "ir às origens" é ir aos documentos, aos arquivos, ao guardado oficialmente (imagens, papéis ou sons), para construir um trabalho revelador, que elucide, ensine sobre algo ou alguém. Com o passar dos tempos, tal função primária passou a ganhar adendos de construção, sendo a entrevista com pessoas vivas e ligadas ao assunto ou ao ser abordado, um passo, um avanço, que emprestou dinâmica e motivo de atração a mais a públicos leigos e interessados (nem vou entrar na história da evolução, dos roteiros, da “ficcionalização”...): Ciavatta, portanto, sábia e espertamente, uniu a origem ao segundo elemento (a entrevista) e construiu .

O filme é simples - pela evidente opção -, mas não exigiria mais "ousadias" mesmo, pois a figura revelada já era suficientemente rica por si só. Idas ao nordeste de origem para a obtenção de um tanto da verdade e da "quentura" informativa somente obtida quando in loco, a facilidade de retratar um homem de comunicação (afinal) para contar importantes momentos de sua odisséia em direção ao sul (homens de comunicação costumam deixar rastros facilmente perceptíveis e ótimos para serem utilizados, coisa que Ciavatta fez), e muitos testemunhos sobre a grandeza e importância de sua existência e de sua passagem revolucionária pelos veículos que nasciam (rádio - de forma evidentemente mais contundente e importante - e televisão).

O documentário caminha de forma ligeira e ágil, facilmente compreensível e cativante. Tem evidente méritos por tais obtenções, porém, poderia ter expandido um pouco suas atenções quanto a importâncias de outros seres nesses momentos iniciais que indicaram rumos e modos de confecção determinantes em artes (veículos) tão importantes e determinantes nos destinos (sim) do país e de sua cultura. Ficou evidente no trabalho que Adhemar Casé (um pernambucano nascido muito simples em 1902) foi responsável por ordenamento e modos de trabalho radiofônico, mas (e até compreendo porque foi opção do diretor discutir a figura e não a evolução nacional do veículo rádio) restou uma sensação de abandono de outras verdades e paternidades sobre o assunto - sabe-se da evolução concomitante aqui em São Paulo, por exemplo, com figuras emblemáticas tanto quanto -. sem qualquerzinha citação que fosse.

Mas, como disse, tal opção seria apenas uma a mais, já que alvos e instâncias estavam todas pré-determinadas em torno da figura gigante de Casé - e é compreensível, justo entender que o diretor queria retratá-lo especificamente. Tanto quanto existiram figuras contemporâneas a ele é evidente que a benção de estar no Rio de Janeiro naquele início de jornada foi um fator decisivo em seu favor (midiaticamente falando): estava na capital do país (alvo das atenções e dos desejos da nação) e, principalmente, cercado por figuras das mais importantes de nossa música (em época de ebulição artística), o que lhe valeu demais, pois intuiu e ousou com elas no novo aparelho de divulgação, fazendo com de sua figura a mais reconhecida (aí, sim) desde aqueles momentos até os dias atuais no quesito "revelação". Vale bastante como trabalho de re-reconhecimento.

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