Meu Malvado Favorito 3D:


Fonte: [+] [-]
Original: Despicable Me
País: EUA
Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud
Elenco: Animação.
Duração: 92 min.
Estréia: 06/08/2010
Ano: 2010


Na medida


Autor: Cid Nader

A “Ilumination” surgiu como uma indústria novata concorrendo contra as fortemente estabelecidas marcadas no mundo das animações em escala mundial (Pixar, da Disney; DreamWorks, da Paramount; e Blue Sky, da Fox.). Esse seu produto que estréia agora nas telas do Brasil, Meu Malvado Favorito, parece mesmo ovelha desgarrada do que se faz nas outras três (se bem que cada uma delas tenha identidade própria e reconhecível nos seus filmes), mas principalmente no aspecto gráfico da coisa – já que, na essência, no frigir dos ovos, quando a moral se faz presente para encerrar contos fabulares, muito do “bom senso familiar” executado nas outras prevaleça como a marca principal a ser registrada.

Não há dúvida logo nos primeiros passos do filme que seu grafismo e sua conduta “bélica comportamental” causam estranhamento e distância dos trabalhos maiores das outras. Os traços para a computação gráfica executada são de compreensão estranha, de difícil assimilação por empatia ou qualidade “ressaltável”, e muito disso, juntado ao excesso de non-sénse (a tal conduta bélica) imposto fortemente a cada frame que desde os primeiros, causam uma sensação de que o distanciamento se estabelecerá como maior parceiro na tentativa de compreensão do trabalho. Há excesso de gratuidades com intenção de delimitar bem que se fala de um mundo de malvados ali, e o quanto tal atitude cai bem em outros trabalhos já vistos (seres malvadamente humanos são prato farto e bom para animações), cai aqui como algo de artificial demais: talvez por um não fácil alinhamento entre comportamento “tão rebelde” e os traços do grafismo.

Porém, com o tempo, muito ao contrário do que faria supor minha crença em animações não comportadas, e quando Meu Malvado Favorito passa a se assemelhar mais aos dos concorrentes, quando ele fica mais “família”, digamos assim, seus rumos ganham força, passando a atrair mais a atenção e dedicação do espectador. É nesse momento que percebemos o público alvo ser muito mais o das criancinhas do que o dos adultos (mesmo sem ser “agressivamente” ingênuo), e que se nota as qualidades reservada para um trabalho que foi pensado para ganhar conforme avança, conforme se constrói. A transformação do personagem principal (o tal malvado) em pessoa que pode “ter uma alma paternal” resguardada lá no interior da capa de malvado e pilantra passa a ser sua tônica – trazendo à memória, que nos momentos iniciais já havia indicado reações gentis (interrompidas como ato falho) para com seus robozinhos trabalhadores -, indica ao filme seu rumo, “apacientando” os excessos iniciais.

O bom, o que faz com que ele não ganhe a aura de “familiar boboca”, talvez se compreenda pela cooperação de gente dos Simpsons no roteiro, fazendo com que a imposição da qualidade paternal ganhe força sem deixar que o humor sagaz esmoreça: muito ao contrário. Daí surgem as pérolas maiores da animação: como os momentos das três menininhas (que são adotadas por interesses escusos) dançando balé; ou quando um robozinho vira mínimo; ou quando esses robozinhos vão a um super-mercado com a intenção de comprar um presentinho para a mais nova; ou ainda por alguns momentos de carinho impostos na marra; sem esquecer da pérola mais brilhante que se oferece no momento em que uma história é lida, dum livro que exige interação de dedos (genial). Já nos créditos finais surge uma resposta a um questionamento meu “sobre a real razão e qualidade de trabalhos em 3D”, com exemplos físicos e quase palpáveis. Na suma: um bom trabalho, originado de um estúdio tão distante quanto próximo do que se faz em seus concorrentes mais velhos.

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