Todo Poderoso: o Filme - 100 Anos de Timão:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: Brasil
Direção: André Garolli, Ricardo Aidar
Elenco: Documentário.
Duração: 100 min.
Estréia: 30/07/2010
Ano: 2010


Corínthians!


Autor: Cid Nader

Sei o quanto é difícil dissociar o exercício crítico de um trabalho, quando ele trata da paixão avassaladora que os corintianos nutrem pelo seu time – e nesse caso, me incluam como um dos mais apaixonados torcedores, acreditem. É nessa seara que me meterei, sem saber ao certo a razão conseguirá se impor sobre a paixão durante o ato de escrever sobre esse mais novo trabalho cinematográfico sobre o Timão – que, desde o ano passado, parece ter surgido para superar em número a odisseia “Indiana Jones”, ou a da “Guerra nas Estrelas”, por exemplo -, alcunhado como a história oficial do clube: a bancada pela instituição, entre outras entidades ligadas ao esporte ou `{a mídia esportiva.

Todo Poderoso: O Filme – 100 Anos de Timão é o pomposo nome dese documentário dirigido por Ricardo Aidar e por André Garolli, que se situa entre boas equações de resoluções básicas – quando o assunto é a realização de um trabalho de caráter informativo -, sem deixar jamais que a emoção não abasteça seu indispensável pendor catártico. O filme cumpre bem suas duas mais nítidas funções, que são a de contar um bom montante da história do clube, e despejar na tela sensações da paixão que só o futebol consegue impregnar no brasileiro em geral – por mais que seja corintiano amalucado, não sou daqueles que não consegue enxergar a paixão extrema executada pelos torcedores de alguns outros times se assemelhando em satisfação particular a cada um, ao que surte de efeito a nossa, para com a gente mesmo: por isso, ouso imaginar que inimigos ferrenhos com coragem de entrar numa sala de cinema para assistir a esse documentário (mesmo sabendo que tal fato raramente irá ocorrer – no caso de torcedores ferrenhos, não os “normais”) poderão se enxergar nesse papel de identificação descabida que costumamos propalar em alto e bom som como coisa somente nossa.

A função do trabalho que documenta e conta a história recebe uma colaboração fugaz e de resultado razoável de atos ficcionais, com pequenas encenações dos momentos da fundação do clube – adequação de iluminação e utilização de PB meio artificiais –, que devem gerar atração aos que não estão acostumados a se ater “somente” a dados concretos quando frente-a-frente com imagens em movimento. A função desse trabalho como documento é bastante bem abastecida por imagens, que para mim eram inéditas, de tempos antigos, com boa alternação na montagem a depoimentos de entrevistados, e com colaborações pra lá de valorosas e enriquecedoras de alguns jornalistas, muito especialmente das oferecidas pelo estudioso e engraçadamente corintiano, Celso Unzelte (estudioso, conhecedor de hinos de clubes como um de seus hobbies, jornalista dos bons lá da ESPN, e belíssimo contador de histórias – além de ter sido o entrevistador do filme, e coautor de seu roteiro).

Quando se pensa numa das funções de um documentário que é de revelar dados e ajuntá-los para que se saiba com detalhes do assunto tratado, percebe-se que os dois diretores foram bastante felizes pelo resultado obtido. Mais: foram especiais ao entender, na montagem, que tempos antigos – bem mais carentes de imagens e muito mais longe de nosso conhecimento – mereciam mais espaço no trabalho, concretizando o filme com bastante dedicação às décadas inciais do clube, enquanto se percebia que quanto mais recentes eram os fatos narrados, menos minutos foram concedidos: tal atitude denota reconhecimento da importância dos dados para os espectadores mais novos, cada vez mais bombardeados pelas informações fartas recentes, nesses tempos multi midiáticos.

E na “função emotividade”, Todo Poderoso: O Filme – 100 Anos de Timão também se saiu bem. Primeiro, porque não há como os corintianos não se emocionarem com as histórias de seu clube; segundo, porque as imagens mostradas e os depoimentos sinceros de ex-jogadores e alguns torcedores casaram de tal maneira com o “estilo simples” de ser dessa galera, que a acumulação dos dados acaba por levar de forma fluida, sem trancos ou “falsidades”, ao intento de catalisar por identificação, por humor, por reverência: novamente, emoção. Além do que, por alguns dos depoimentos perceber-se que a diferença em ser corintiano - proclamando isso como virtude única, como “somente” paixão clubística inigualável (fato que, disse acima, noto similar em outras torcidas) -, na realidade, está situada num outro patamar de compreensão: a até já repetida máxima, que diz “que o Corínthians é um clube que pertence a seu torcedor”, não o contrário, o que faz entender de verdade a sensação da relação, que é a do carinho que se dedica a um seu, a um filho, a quem mais se queira bem no mundo (alguns depoimentos fazem entender perfeitamente isso). Documentário, não irrepreensível, mas dos mais competentes.

Leia também: