Predadores :


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Original: Predators
País: EUA
Direção: Nimród Antal
Elenco: Adrien Brody, Topher Grace, Alice Braga e Walton Goggins.
Duração: 107 min.
Estréia: 23/07/2010
Ano: 2010


Rodriguez fracassa novamente.


Autor: Leandro Cesar Caraça

Foi no ano de 1987 que o público viu o surgimento de umas das aventuras mais empolgantes daquela década. Fazendo um mix de ação, terror e ficção, “Predador”, de John McTiernam, rapidamente se tornou um fenômeno nas bilheterias. A continuação, “Predador 2”, realizada em 1990 e dirigida por Stephen Hopkins, apesar de “assistível”, não trazia dois elementos importantes no primeiro: a presença de Arnold Schwarzenneger e o cenário selvagem da floresta, preferindo o cenário de uma Los Angeles pretensamente futurista. A franquia retornou nos anos 2000, quando dois filmes altamente medíocres colocaram os predadores (agora, vários) frente a frente com as criaturas da série Alien.

Desgostoso com o resultado, assim como a maioria do público, Robert Rodriguez percebeu que era preciso voltar às origens. Resolvendo ampliar o conceito mostrado no primeiro filme, agora a trama se passaria no planeta de caça dos predadores, e com mais membros da raça. Só que, uma vez mais, Schwarzenneger foi esquecido, sendo substituído por vários atores sem a mesma persona de filmes de ação.

Com direção pouco inspirada de Ninród Antal (do filme de horror “Temos Vagas”) e produção de Rodriguez, Predadores começa a mil por hora, com Adrien Brody em queda livre no ar, e seu pára-quedas abrindo a poucos metros do solo. Em seguida, os diversos personagens vão surgindo, um por um. Essa tática sugere ao espectador que as coisas serão movimentadas desde o início, mas isso é um engodo e um erro.

Primeiro, porque em nenhum momento o filme se mostra tão empolgante quanto os dois primeiros. Depois, porque essa pressa toda não nos deixa tempo para simpatizarmos com os anti-heróis, um bando de mercenários seqüestrados e jogados no planeta dos predadores como “caça”.

Brody não é convincente como o mercenário, tampouco a brasileira Alice Braga como uma militar israelense. O negócio é tão esquemático que o roteiro tenta nos levar a gostar dela imediatamente, por ser a única mulher, e um dos poucos membros com consciência do grupo. Já o guerrilheiro negro e muçulmano (Mahershalalhashbaz Ali – escreve-se assim mesmo), que a certa altura confessa fazer uso das mesmas manobras (cruéis) dos predadores, é logo despachado.

Junto com ele, serão justamente as figuras mais interessantes do filme que acabam indo para o saco mais cedo (como o personagem de Danny Trejo, aqui como membro de algum cartel de drogas) ou sendo muito mal exploradas, como o misterioso personagem de Lawrence Fishburne.

Figura irrequieta e supervalorizada, o produtor Robert Rodriguez dá o tom em Predadores: muita bravata e pouco resultado. Boas idéias jogadas a esmo na tela, personagens que nunca se completam.

Cheguei à conclusão de que Danny Trejo vai estrelar “Machete” (anunciado no “trailer” de “Planeta Terror”) como uma espécie de pedido de desculpas de Rodriguez por ter desperdiçado o amigo tantas vezes em seus filmes.

O clássico de McTiernam dos anos 1980, além do gigante austríaco em sua melhor forma, trazia um elenco carismático, era bem escrito e bem dirigido. Chega até ser patético quando diversas cenas do original são recriadas aqui, mas sem o mesmo impacto. Ao unir a mediocridade de Antal e a falta de foco de Rodriguez, a franquia dos caçadores alienígenas fracassa novamente.

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