Encontro Explosivo:


Fonte: [+] [-]
Original: Knight & Day
País: EUA
Direção: James Mangold
Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz e Maggie Grace.
Duração: 115 min.
Estréia: 16/07/2010
Ano: 2010


O que mais o fã quereria?


Autor: Cid Nader

O que esperar de um filme estrelado por Tom Cruise e Cameron Diaz? Com certeza a afluência de público específico que adora movimento na tela e que baba, antes de tudo, por ver filmes atuados por atores que agem e se comportam como celebridades. Pensar em Tom e Cameron – ajuntando-se a eles um bom punhado de atores norte-americanos – ou que tenham se radicado lá -, lembra muito do que mexia com a ansiedade do público de cinema quando a arte se consolidou como entretenimento de preferência mundial após os Estados Unidos terem percebido o potencial que o veículo proporcionava como intromissão popular.

Nesse modelo de cinema aguardado o diretor pouco importa, e fazer com que o filme suscite dúvidas ou provoque o raciocínio mais complexo de quem assiste ao trabalho seria mais ou menos como querer que os torcedores australianos aplaudissem desportivamente a vitória da Espanha porque jogou bola e não apelou para as botinadas nessa final da Copa do Mundo de Futebol de 2010 (com placar de 1X0 para o país ibérico). Os EUA são bons para estabelecer o faturamento encima de figuras públicas – o cinema de lá aproxima e cria ideais de referência e possibilidade de similaridade entre o público e seus astros celestiais -, fazendo com que o espetáculo da diversão tenha um patamar muito particular nas manipulações possíveis desse evento que são os filmes. Lá se criou o cinema que se aproxima, traz, coopta, enquanto mistifica os atores. De lá se esperam os filmes que utilizem as mais modernas técnicas na hora de confeccionar, o que resulta na realização possível do inimaginável, da criação do que se suporia somente impensável, da interação popular em variadas escalas.

Bem, sem querer parecer mais chato do que o modelo de cinema que assusta ao tipo de público que busca tal estilo de produção, vale dizer que, dentro da proposta aguardada para o filme, o diretor James Mangold mandou quase sempre muito bem em Encontro Explosivo. Há a história, em que Roy Miller (Tom Cruise) é um agente que tenta esconder dos inúmeros inimigos um invento poderosíssimo, e na qual June Havens (Cameron Diaz, obviamente) faz o papel da bobinha enganável de plantão (uma mecânica de carros especiais em viagem familiar). No filme: a ação corre solta e o aguardado imponderável, a alucinante ação continua, a indestrutibilidade do ser humano (que não parece ser de carne e osso – talvez metáfora à suposta divindade de atores de ponta), a modernidade de ponta nos atos dos personagens e no modo de realização do filmes mesmo em si, tudo, cai bem e a contento, tornando impossível reparos maiores de quem queira criticá-lo.

Tudo transcorre dentro do ansiado, e entre explosões e traições, câmeras ligeiras e edição veloz, caras e bocas sensuais alternando com expressões raivosas, ou música padrão para o modelo, o pacote é entregue com cara mais inteligente do que se suporia. A trama tem reviravoltas, quem é na realidade não é ou pode ser: quem é bobinho o é até o momento em que deixa de ser e vice-versa (se é que vocês me entendem). Filme de ação, com sacadas boas, atores famosos, para público que sabe o que procura. Ah, mais uma observação: esse cinemão norte-americano que criou mecanismos e técnicas de captura de espectadores específicos, sempre, lá no fundinho, nutre a necessidade de se fazer defensor das famílias ianques, do amor idílico e puro, e aqui, entre pirotecnias e demonstração de liberdade emocional... (se é que vocês me entendem).

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