Shrek Para Sempre 3D:


Fonte: [+] [-]
Original: Shrek Forever After
País: EUA
Direção: Mike Mitchell
Elenco: Animação.
Duração: 93 min.
Estréia: 09/07/2010
Ano: 2010




Autor: Cid Nader

Não há dúvida sobre a importância desse “ogro com alma humana” no contexto das animações irreverentes e rápidas nos gatilhos das sacadas que surgiram há cerca de duas décadas dentro do cinemão norte-americano, Umas, de uma maneira, outras de outro, o que mais caracterizava tais trabalhos – além das pirraças dirigidas a outros modelos de distração infantil antigos via tais sacadinhas – era o fato de discutirem humanidades em seus textos com caras de piada e resgate da infância.

Shrek foi um desses trabalhos ícones que restaram nas memórias. Surgiu como um petardo de irreverência – principalmente por apoderar-se de desenhos clássicos, bonecos estranhos, biscoitos com carinhas, do mundo comportado e orientador das histórias de animação -, mas tinha em seu bojo a discussão do belo e do feio, a importância disso ante a realidade que deveria mesmo importar, que é a do caráter de um ser (ogro ou humano). A animação em si, o seu feitio em computador, sua realização através de técnicas das mais modernas do mercado importavam sim, mas muito de sua marca ficou pelo diálogo mantido com o público que mesclava percepções de caráter adulto e irreverências (que também ganhavam força pelo politicamente incorreto de manifestações comportamentais reprováveis socialmente, como gases sendo expelidos pelo corpo, cavocadas no nariz, mau comportamento à mesa...).

Tais irreverências ganharam mais potência quando se notou que o tal burrico do desenho (dublado por Eddie Murphy e concretizado ao seu jeito de agir nos filmes) e um gato de botas de sotaque espanhol e olhar pra lá de apiedante (com a voz e também características de Antonio Banderas), estavam para a animação muito mais do que muletas ou coadjuvantes simples periféricos: eles eram a vazão maior das possibilidades de se continuar a tratar o mundo como ele é mesmo, na realidade, até o final de todas as contas a serem prestadas pelas histórias, possibilitando que Shrek e sua amada Fiona cessassem um pouco as ultrapassagens de limites para servirem de bons exemplos familiares nas conclusões.

Bem: é dessas virtudes e defeitos acumulados que tenta sobreviver esse quarto (e último) filme da série. Melhor que o anterior, - o que não deveria ser muito difícil -, fica longe não da qualidade dos primeiros, mas do modo como eles puderam enganar (pelo bem e pelo mal) os incautos com uma certa lição de moral que sempre persiste por trás de quase toda produção de cinema ianque. Esse filme de agora vai às irreverências de modo bem bom (basta notar o gato gordo e mole como jamais poder-se-ia imaginar); vai às sacadinhas de modo emparelhado com os bons momentos antigos (principalmente quando o burrinho entra em ação); fala de “humanidades” (risca o assunto envelhecimento e as incertezas que tal acomodação pode trazer – teve gente que não gostou disso, mas faz parte da índole de todos os outros trabalhos, também); gera um personagem do mal (o “Grimminiano” Rumple) bastante adequado para fazer dúvidas incitarem a reações anormais aos bons momentos da nova vida de Shrek.

Mas, por outro lado, o “desenho” peca por algumas opções estéticas (as bruxas por exemplo e seus corpos delineados de forma muito regular), provavelmente em direção de beneficiar a trama imaginada para o 3D. E falha muito mais quando não consegue ao menos disfarçar sua intenção em ser um defensor das tradições familiares como o único caminho a ser desejado e almejado por quem quer que seja – mesmo que seja um casal de ogros com seus filhinhos. O que resultou é um trabalho que deve agradar a quem queira apenas se divertir - o que não é pouco, também – e, principalmente, aos que sempre acreditaram no potencial do burrico e do gato, e na jocosidade dirigida aos personagens com “características Disney” – sendo que o filme é muito bom de músicas.

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