Ponyo - Uma Amizade Que Veio do Mar:


Fonte: [+] [-]
Original: Gake no ue no Ponyo
País: Japão
Direção: Hayao Miyazaki
Elenco: Animação.
Duração: 101 min.
Estréia: 30/07/2010
Ano: 2008


Mais um Miyazaki: nós agradecemos


Autor: Gabriel Carneiro

Ponyo é o mais novo filme do mestre da animação Hayao Miyazaki. O cineasta japonês vem encantando o mundo com suas obras fantásticas, sobre o amadurecimento humano, há mais de vinte anos, com filmes tais como os espetaculares “Porco Rosso”, “Princesa Mononoke”, “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Animado”. Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar é mais uma dessas obras – felizmente para todos nós.

O filme, de 2008, foi um enorme sucesso no Japão, arrecadando mais de US$ 160 milhões, mas tendo seu lançamento no Brasil atrasado por diversas vezes. Ponyo conta a história de Ponyo, um peixe que aprece na costa, preso num pote de vídeo. Sosuke, um garoto de cinco anos, o encontra e o pega para cuidar. Mas Ponyo não é um peixe qualquer, é fruto de dois todos poderosos do mar, incluindo um mago, que já foi humano, mas se revoltou com a imundície e ganância do povo da superfície. Ponyo é livremente inspirado em “A Pequena Sereia”, de Hans Christian Andersen. Não à toa, uma vez que experimenta a amizade de Sosuke e seu amor para com ela, Ponyo quer se tornar uma garotinha.

Miyazaki tem um dom especialíssimo na sua visão de mundo. O aprendizado pelos quais os personagens passam nos seus filmes está longe de ser didático. O universo fantástico é a própria vida – não dizem que a realidade apresenta monstros e tecnologias que nem a ficção poderia imaginar? -, e cada provação é um degrau. Aliás, o principal aprendizado é a coragem e a sensatez, características necessárias para enfrentar monstros de águas, enchentes e renovações.

Porque Ponyo também é um filme de renovações: do ambiente em que se passa, da natureza, e da bondade no mundo – por mais brega que isso possa soar. O olhar japonês não poderia se fazer mais presente: os perigos na vida dos filmes de Miyazaki são externos à natureza humana, empurrados pela própria Terra,de forma personificada, ou mesmo são os medos dos próprios personagens diante do amadurecimento, muito diferentemente de obras norte-americanas, em que o perigo se origina no terror da própria sociedade, por elementos que parecem ser essencialmente maus – vide “Toy Story 3”, que é brilhante, diga-se de passagem, mas tem visões diferentes de mundo.

A renovação é essencial no filme. Tanto a pequena Ponyo quanto Sosuke se renovam no filme, após a batalha com a própria aceitação – assim como as senhoras idosas -, mas também se renova a natureza, que passa a ser um local consciente. Aliás, a natureza ganha papel fundamental nesse “Ponyo”, assim como fizera anteriormente em “Princesa Mononoke”. Se este fala da floresta e da terra, aquele fala do mar e da água. São filmes que se pretendem ecológicos e que passam essa mensagem sem cair na pieguice do ‘ecochato’. Em Ponyo, é uma conscientização automática, assumida como valor no filme, que não deve ser discutido.

E se Ponyo fala de amadurecimento, uma coisa é certa: não há como viver sem um punhado de bons amigos, aqueles que te ajudam nas coisas mais bobas, bem como nas mais complicadas. Talvez por essa devoção ao tema, o filme seja o menos bem amarrado das obras de Miyazaki, completamente entregue e absorta – assim como a amizade, talvez.

Leia também: