O Pequeno Nicolau:


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Original: Le Petit Nicholas
País: França
Direção: Laurent Tirard
Elenco: Maxime Godart, Valérie Lemercier, Kad Merad e Sandrine Kiberlain.
Duração: 91 min.
Estréia: 02/07/2010
Ano: 2009




Autor: Cid Nader

Filmes desse estilo são quase certeza de sucesso junto ao público, principalmente em países que seguem sem muitos traumas o modelo norte-americano de entretenimento infantil no cinema. Não dá para não remeter a memória às peripécias dos vários filmes - baseados na obra de Ziraldo – sobre “O Menino Maluquinho” transportados para a arte cinematográfica por aqui quando se tem certeza dos rumos que O Pequeno Nicolau segue. Como não dá para deixar de lembrar de uma infinidade de obras sobre crianças criadas ao modelo da matriz (os EUA).

Por mais que os franceses desfaçam do modo dos norte-americanos fazerem cinema fica bastante evidente que quando a ideia é a de fazer algo mais facilmente assimilável pelo público (filmes de ação, infantis ou policiais), a referência ao estilo e à forma de dinamismo é cópia certa a ser buscada. Sim, Laurent Tirard busca de modo até ostensivo localizar geograficamente, e nos modelos de vestuários, o filme nas pequenas dimensões de algum recanto bucólico com cara de França ou Bélgica; mais ainda por transferir a história ao tempo original da do livro em que foi baseada (uma obra dos mesmos criadores de “Asterix, o Gaulês”, Goscinny e Sempé), nos idos da década dos finais dos 50, início dos 60. Essa aura francesa emprestada dos tempos antigos, talvez seja a responsável por fazer com que muitos vejam no trabalho algo de forte apego aos modos locais – mas não dá para reduzir fidelidade sociológica ou artística ao modo fiel de retratar (foto mesmo, cenário mesmo, artigos palpáveis mesmo) por imagens.

O filme tem muitos méritos, mas têm muitos vícios do cinema referente, também. Não foge jamais das figuras estabelecidas, cada uma com características intocáveis, fazendo perceber que as aventuras terão destinos pré-estabelecidos, sempre; gags manjadas, o que deságua num modo de fluidez e encadeamento que não oferecerá surpresas mais agradáveis do que o agrado comum que a película nos entrega o tempo todo. Por conta disso, também, a fita é programa fácil de ser visto, rápido, fugaz (pelo bem e pelo mal). Sabe-se o tempo todo o que ocorrerá ao desfecho de cada situação imaginada como mote seqüencial, sendo isso que falo quando cito a cópia de um modelo pré-estabelecido.

Passadas essas questões, indo mais diretamente aos resultados para quem não procura algo um tanto mais exigente, resta dizer que há algumas grandes sacadas e cenas engraçadas (principalmente, mas nem todas, ambientadas no mundo adulto do filme – o que faz pressupor que pode-se ousar nesse tipo de trabalho sobre as figuras adultas, sem "incorrer” no risco de criar situações de constrangimento infantil); algo de humor bem explorado justamente em cima das personalidade imutáveis e o melhor momento visual, quando o filme leva diretamente a uma situação onde se copia um trecho mitológico e marcante das estripulias dos livros de Asterix. Ah, e um outro bom momento final, quando Nicolau espera ansiosamente um irmãozinho saído da maternidade, imaginando seus futuros. É isso: um filme comum, que poderia ter sido feito aqui, na Argentina, ou na Itália.

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