Toy Story 3 - 3D:


Fonte: [+] [-]
Original: Idem
País: EUA
Direção: Lee Unkrich
Elenco: Animação.
Duração: 113 min.
Estréia: 18/06/2010
Ano: 2010


Com Toy Story 3D, a Pixar continua infalível.


Autor: Laura Cánepa

Nos últimos quinze anos, os longas-metragens da Pixar lançados nos cinemas (e cujo primeiro exemplar foi justamente o primeiro Toy Story) têm servido, entre outras coisas, como respiros de esperança de que nem tudo esteja perdido em Hollywood. Afinal, por mais decepcionados que fiquemos com os filmes de ação, “teenpics” e comédias românticas de última categoria que entopem os espaços nas salas de cinema do mundo todo, temos que admitir que a inteligência estética e industrial que deu origem ao cinema clássico hollywoodiano ainda existe em algum lugar – e tem nos filmes de animação da Pixar, talvez, sua principal expressão contemporânea.

Afinal, além da regularidade com que lança bons títulos no mercado, essa companhia impressiona pela a genialidade com que faz seus produtos altamente vendáveis e supostamente descartáveis transformarem-se em objetos de admiração, afeto e desejo para vários tipos de público.

Assim, mesmo quem resiste ao cinema de Hollywood ou não se interessa por animação acaba admitindo a qualidade das obras cinematográficas lançadas pela Pixar – e que se desdobram em dezenas de outras igualmente sedutoras (brinquedos, videogames, DVDs cheios de extras, curtas-metragens etc), quase sempre apresentadas com alto grau de autoconsciência e ironia, o que atrai desde crianças de três anos de idade até experientes colecionadores e admiradores de cinema.

Reconhecendo, então, de antemão, que me rendi ao filme, faço algumas observações sobre Toy Story 3.

O filme do diretor Lee Unrick e dos roteiristas Andrew Stanton e John Lasseter encerra (ou não?) a trilogia iniciada em 1995 com Toy Story, do mesmo Lasseter, primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador a ser lançado comercialmente no planeta, e responsável por inaugurar a fama e a fortuna da Pixar.

Desta vez, os brinquedos que protagonizaram a primeira história não precisam mais competir uns com os outros pela atenção do menino Andy, e sim encontrar o que fazer para preencher o tempo livre, já que estão resignados ao desinteresse do dono, agora um adolescente a caminho da faculdade. Acreditando que nada pode ficar pior, os brinquedos acabam indo parar numa creche que mais se parece com uma prisão ou um campo de concentração, e lá terão que lutar por sua sobrevivência e por uma sonhada volta para casa.

Contada assim, a historinha pode parecer boba ou repetitiva, mas quem está familiarizado com os desenhos da Pixar sabe que seus roteiristas e animadores são especialistas em fazer as situações-clichê renderem cenas divertidas e belas, que reúnem histórias muito bem amarradas a momentos de pura “atração” – e que, neste novo Toy Story, têm seu auge no desfile de moda do novato Ken e no modo “spanish” do astronauta Buzz.

Quanto ao 3D, também por motivos mercadológicos, este parece ter sido feito de maneira a não ser “indispensável”. Afinal, mesmo que o número de salas desse tipo venha aumentando no mundo todo, os realizadores sabem que a maior parte do público assistirá ao filme em 2D, seja na televisão, no cinema ou no computador. Mas o curta-metragem Dia e Noite, exibido antes do longa, já deixa claro que a Pixar tem bala na agulha para fazer filmes que aproveitem narrativamente o 3D. Agora só falta a tecnologia e o mercado, mais uma vez, acompanharem os caras.

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